O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) deve julgar nesta semana um caso que pode impactar diretamente o cenário político de Brejo Alegre. Está na pauta de quinta-feira (16), às 15h, o recurso eleitoral envolvendo a pré-candidata à prefeitura Maysa Rodrigues da Silva, investigada por suposto abuso de poder político nas eleições de 2024.
A ação tem origem em investigação que apura um suposto esquema de transferência irregular de eleitores para o município, com o objetivo de beneficiar candidaturas locais. O processo foi movido por Rafael Alves dos Santos, representado pelo advogado Giovani da Silva Cruz.
Condenação em primeira instância
Na primeira instância, a Justiça Eleitoral de Birigui reconheceu a existência de irregularidades e condenou Maysa Rodrigues da Silva e Higor Roberto Pereira Martins — então candidato a vereador — por abuso de poder político, declarando a inelegibilidade de ambos por oito anos.
Trechos da decisão apontam a gravidade do caso. Segundo a sentença, houve “arregimentação fraudulenta de eleitores para o município de Brejo Alegre”, com indícios de um esquema estruturado para alterar o domicílio eleitoral de votantes.
O juiz também destacou que a prática “atenta contra os pilares da democracia”, ao criar artificialmente um colégio eleitoral, o que caracteriza abuso de poder independentemente do resultado da eleição.
Esquema e atuação direta
De acordo com os autos, há relatos de que a própria candidata teria participado diretamente da abordagem a eleitores. Testemunhos indicam que pessoas foram procuradas para transferir seus títulos, com o objetivo de reforçar a base eleitoral no município.
A decisão menciona ainda que o esquema não teria sido isolado, podendo ter alcançado outros eleitores, o que reforça a gravidade das acusações e o potencial de impacto no processo democrático.
Julgamento decisivo
O caso será agora reavaliado pelo colegiado do TRE-SP, sob relatoria da juíza Danyelle Galvão. A análise do recurso pode manter ou reverter a condenação, em um momento sensível, já que Maysa aparece como pré-candidata à Prefeitura de Brejo Alegre nas eleições suplementares previstas para este ano.
O julgamento é aguardado com expectativa por lideranças políticas e eleitores, já que a decisão pode redefinir o cenário eleitoral do município.
Caso a condenação seja mantida, a inelegibilidade pode impedir a participação da pré-candidata na disputa. Por outro lado, eventual reversão abre caminho para sua candidatura.
Clima de tensão política
O caso ocorre em meio a um cenário de forte mobilização política em Brejo Alegre, marcado pela preparação para uma eleição suplementar. A decisão do TRE-SP deve ter efeito direto sobre alianças, estratégias e o próprio rumo da disputa.
Nos bastidores, o processo é tratado como um dos mais sensíveis da atual conjuntura eleitoral local e pode se tornar determinante para o futuro político da cidade.
A reportagem procurou a equipe jurídica de Maysa Rodrigues da Silva para se manifestar sobre o caso. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para eventual posicionamento.
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