Três empregadores com atuação em cidades da região noroeste passaram a integrar a atualização mais recente da chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo governo federal no último dia 6 de abril. Os registros são resultado de fiscalizações realizadas ao longo de 2025.
As ocorrências foram identificadas nos municípios de Américo de Campos, Gastão Vidigal e Magda.
O caso mais grave envolve uma propriedade em Gastão Vidigal, aproximadamente 60 km de Araçatuba, onde 29 trabalhadores foram encontrados em situação irregular durante ação de fiscalização concluída em novembro do ano passado.
Segundo o levantamento, esse empregador atuava no cultivo de cana-de-açúcar e possuía sede em Nova Castilho, mas atualmente está com o cadastro baixado na Receita Federal, indicando encerramento das atividades.
Outro caso registrado também em Gastão Vidigal envolve uma empresa do setor de transportes, com sede em Buritama, onde cinco pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão em alojamentos.
Já em Américo de Campos e Magda, um empregador individual foi responsabilizado após a identificação de três trabalhadores em situação irregular na zona rural.
A atualização mais recente da lista inclui 169 novos nomes em todo o país, o que representa aumento de 6,28% em relação à divulgação anterior. Do total, 102 são pessoas físicas e 67 empresas. Entre as atividades com maior número de inclusões estão serviços domésticos, pecuária de corte, cultivo de café, construção civil e serviços agrícolas.
A chamada “lista suja” é um cadastro público divulgado semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, reunindo empregadores autuados após processos administrativos concluídos, sem possibilidade de recurso. Os nomes permanecem por dois anos, desde que não haja reincidência e a situação seja regularizada.
Ao todo, 169 empregadores no Brasil foram incluídos na nova atualização da chamada “Lista Suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Agora, o documento passa a ter 613 empresas e pessoas físicas que submeteram trabalhadores e trabalhadoras a condições degradantes.
Denúncias
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa por meio do Sistema Ipê, lançado em 15 de maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Sistema Ipê é a única plataforma exclusiva para o recebimento de denúncias relacionadas a condições análogas à escravidão e está totalmente integrado ao Fluxo Nacional de Atendimento às Vítimas do Trabalho Escravo.
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