RISCOS

Rio Piracicaba: entenda estudo que aponta antibióticos na água

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Will Baldine
O estudo também analisou peixes lambari e pacu e constatou a presença de antibióticos nos organismos
O estudo também analisou peixes lambari e pacu e constatou a presença de antibióticos nos organismos

O Rio Piracicaba apresenta contaminação por antibióticos utilizados na medicina humana, veterinária e na agropecuária. É o que aponta um estudo científico desenvolvido por oito pesquisadores do Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura) da Esalq/USP (Universidade de São Paulo).

A pesquisa identificou resíduos de diferentes tipos de antibióticos na água, no sedimento e até em peixes do rio. De acordo com os dados, a concentração dos contaminantes é maior em períodos de estiagem, quando o volume de água diminui e os poluentes ficam mais concentrados.

O estudo foi disponibilizado ao JP por Patrícia Evangelista, doutoranda em Ciências pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP) e engenheira ambiental pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Os pesquisadores alertam que esse tipo de contaminação pode trazer impactos  como o surgimento de bactérias resistentes a antibióticos — um problema de saúde pública — além de efeitos nocivos à fauna aquática e à cadeia alimentar.

Como parte do estudo, foi testado o uso da planta aquática Salvinia auriculata para remover os antibióticos da água, em um processo conhecido como fitorremediação.

Os resultados foram considerados positivos. A planta conseguiu remover mais de 95% de um dos antibióticos analisados, o enrofloxacino, e entre 30% e 45% de outro composto, o cloranfenicol.

Segundo os pesquisadores, quanto maior a quantidade da planta presente na água, maior foi a eficiência na remoção dos contaminantes.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que a aplicação da técnica deve ser acompanhada com cautela, já que a interação entre plantas, contaminantes e organismos aquáticos pode alterar a dinâmica do ecossistema.

O estudo reforça que uma parcela significativa dos antibióticos consumidos não é totalmente metabolizada pelo organismo humano ou animal, sendo eliminada e chegando aos rios por meio do esgoto e de resíduos.
Como os sistemas de tratamento de água não conseguem remover completamente essas substâncias, elas acabam persistindo no ambiente.

PEIXES
O estudo também analisou peixes lambari e pacu e constatou a presença de antibióticos nos organismos. O cloranfenicol apresentou maior capacidade de bioacumulação, permanecendo por mais tempo nos tecidos dos peixes. Já o enrofloxacino foi eliminado de forma mais rápida.

Além disso, os cientistas observaram danos celulares nos peixes expostos aos contaminantes, incluindo alterações genéticas em células sanguíneas, o que reforça os riscos ambientais da poluição.

Diante desse cenário, os pesquisadores defendem a adoção de soluções sustentáveis, como a fitorremediação, aliadas a políticas de controle e uso consciente de antibióticos.

A Prefeitura de Piracicaba foi questionada sobre a pesquisa porque o Rio Piracicaba é responsável por, aproximadamente, 15% da captação de água para o abastecimento da cidade, mas até o fechamento desta edição não houve resposta.

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