REPRESENTAÇÃO

Ambientalistas acionam MP contra instalação de data center em SJC

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Projeto do 1º data center da TSData em São José dos Campos
Projeto do 1º data center da TSData em São José dos Campos

Membros da Frente Ambientalista do Vale do Paraíba ingressaram com uma representação no Ministério Público de São Paulo, por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Urbanismo de São José dos Campos, questionando a instalação de um data center na cidade.

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O grupo pede apuração de potenciais irregularidades ambientais e urbanísticas e ato de improbidade administrativa referente a procedimentos públicos para a instalação do empreendimento.

Em 26 de março, a Prefeitura de São José divulgou que a cidade deve receber seu primeiro data center, estrutura utilizada para armazenamento e processamento de dados. O projeto prevê investimento estimado em R$ 50 milhões e início de operação parcial no segundo semestre de 2026.

O empreendimento será instalado na região de Eugênio de Melo, na área conhecida como Cidade Tecnológica, próxima ao PIT (Parque de Inovação Tecnológica). A estrutura ocupará cerca de 1.000 metros quadrados e terá capacidade total projetada de 650 kW. Na primeira etapa, a previsão é de entrega com 100 kW de capacidade instalada.

O projeto é da TSData, empresa que passa a atuar no segmento de infraestrutura digital na região. A companhia pretende oferecer serviços de cloud e colocation, voltados a empresas que necessitam de operação local de tecnologia da informação.

Para a execução da obra, foi firmado contrato com a Trusted Data, empresa com atuação na implantação de data centers na América Latina, com foco em estruturas modulares.

Representação

A representação contra o empreendimento cita o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias, o secretário de Urbanismo e Sustentabilidade, Marcelo Manara, o presidente da Agência Ambiental do Vale do Paraíba e prefeito de Lorena, Sylvio Ballerini, o diretor da Cetesb, Thomaz Miazaki de Toledo, e as empresas TSData e Trusted Data.

O documento é assinado pelos ambientalistas Angela Aparecida da Silva  José Moraes Barbosa e Vicente de Moraes Cioffi, todos da Frente Ambientalista do Vale do Paraíba.

Segundo eles, os impactos ambientais não justificariam o projeto. “A narrativa construída é a de um avanço inevitável e inquestionavelmente positivo, que reforçará o status de inovação do município. Contudo, essa narrativa omite, de forma preocupante, qualquer menção, análise ou discussão sobre os notórios e severos impactos socioambientais, climáticos e urbanísticos associados a esse tipo de infraestrutura de alta intensidade”.

O grupo também cobra transparência nas discussões sobre o empreendimento em São José. “Há uma total e absoluta ausência de informações públicas sobre os processos de licenciamento indispensáveis para um empreendimento de tal magnitude”.

“Não há qualquer notícia sobre a realização de audiências públicas, a apresentação de Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), ou mesmo a elaboração do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV)”, diz trecho da representação.

Recursos naturais

O texto diz que o projeto tem “potencial de afetar significativamente os recursos naturais, a infraestrutura urbana e a qualidade de vida da população local e regional e aumentar as emissões de gases causadores de efeito estufa”.

Os ambientalistas apontam ainda “consumo hídrico exorbitante e a ameaça à segurança hídrica”, “demanda energética crítica” e “impactos urbanísticos e na vizinhança”.

O grupo pede a instalação de um inquérito civil para investigar o empreendimento, a requisição de informações e documentos e que Prefeitura de São José, Cetesb e Agência Ambiental do Vale do Paraíba se “abstenham de conceder qualquer nova licença ou autorização e, caso já concedidas, que suspendam a eficácia de todas as licenças e alvarás relativos à construção e instalação do referido data center”.

Caso as irregularidades apontadas no documento sejam comprovadas, os ambientalistas pedem que o MP ajuíze uma ação civil pública para anular a instalação do empreendimento em São José.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a empresa TSData, responsável pelo projeto, ainda não se manifestou sobre a representação protocolada no Ministério Público. O espaço segue aberto para a manifestação.

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