Vivemos uma conjuntura complexa e angustiante. A guerra entre os Estados Unidos e o Irã entrou em período de cessar fogo de duas semanas. Entretanto, no Líbano, Israel promove grandes bombardeios, o que pode comprometer a trégua declarada unilateralmente pelo presidente estadunidense Donald Trump.
Em todo o mundo, verificamos a perda de valores humanitários. Prevalecem disputas de territórios e riquezas, expansionismo e confrontos militares, vitimando a população civil, que paga com a vida pelas guerras que seus governantes decidem.
Hoje, além de guerras e conflitos no Oriente Médio, ocupação e genocídio promovidos por Israel na Faixa de Gaza, guerra na Ucrânia, conflitos e genocídios em países da África, como o Sudão e a República Democrática do Congo, também na América Latina somos vítimas dos planos imperialistas de Donald Trump. Após a intervenção armada na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa e deputada Cília Flores, Trump intensificou o embargo e as sanções contra Cuba e ameaça invadir o país.
O bloqueio econômico a Cuba vem provocando gravíssimas privações ao povo cubano. Há falta de eletricidade, com apagões que duram de 8 a 30 horas, faltam remédios, alimentos e outros gêneros de primeira necessidade. Precisamos ser solidários ao povo cubano, doando esses produtos em posto de coleta que diversas entidades e movimentos vêm instalando, como os que a APEOESP disponibilizará em suas sedes, subsedes e colônias de férias.
A perda dos valores humanistas também é sentida na proliferação de casos de feminicídio em todo o país, casos de violência policial injustificada, aumento dos casos de violência de uma forma geral. Essa escalada pode ser exemplificada de diversas formas, como o assassinato de uma mulher, mãe de cinco filhos, no bairro de Cidade Tiradentes, em São Paulo. A Policial Militar, de 21 anos, que recebera três meses de treinamento e estava há apenas três meses em serviço, alega ter atirado por ter sido agredida pela mulher. Em primeiro lugar, os vídeos disponíveis não mostram a suposta agressão. Em segundo lugar, ainda que tenha havido tal agressão, não justifica o assassinato de uma pessoa desarmada com um tiro no peito.
Na minha opinião, a crescente desumanização das relações sociais tem relação com a desvalorização da educação pública e de seus profissionais, com o abandono das unidades escolares, com a militarização, privatização, plataformização e empobrecimento dos currículos escolares. A educação é vista pelo governo de Tarcísio de Freitas, no estado de São Paulo, como despesa que precisa ser reduzida e como ativo financeiro negociável na bolsa de valores. A escola tornou-se um espaço árido para professores, funcionários e estudantes, com metas a atingir e um processo de ensino-aprendizagem cada vez intermediado por meios digitais, apesar da recomendação do Ministério Público para que essa prática seja revista.
Por isso, e tantos outros motivos, as professoras e os professores da rede estadual de ensino paralisaram suas atividades nos dias 9 e 10 de abril. Querem ser ouvidos, querem que sua entidade, a APEOESP, tenha espaço real de negociação com o governo, que essas negociações produzam resultados salariais e nas condições de trabalho. Querem que o governo retire da pauta da Assembleia Legislativa o projeto de lei 1316/2025, que promove uma inaceitável reforma administrativa na educação.
Se o Estado e a sociedade não valorizarem a educação como caminho para o desenvolvimento, a igualdade, convivência pacífica e a soberania entre os países, assim como a paz interna em cada um deles, haverá espaço para a violência, os conflitos, as guerras e o autoritarismo. Devemos lembrar que o primeiro ato de guerra de Trump contra o Irã foi o bombardeio de uma escola, matando pelo menos 160 meninas.
Este não é o caminho que queremos.
Professora Bebel é Deputada Estadual – PT e primeira presidente licenciada da Apeoesp.
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