A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação “O Clone”, voltada ao combate de uma organização criminosa especializada em furto e adulteração de veículos de alto valor. A ação foi coordenada por equipes da DIG/DEIC/DEINTER-10 de Araçatuba, em conjunto com a DIG de Votuporanga.
Em Birigui, foram localizados os investigados identificados pelas iniciais R.R., A.M.S.R., T.S.O., S.A.S., D.N.S., M.L.R. e o empresário A.M., de 61 anos. Já L.F.S.M. não foi encontrado e é considerado foragido da Justiça. Durante diligências na chácara utilizada pelo grupo, no bairro Viadinho, os policiais também localizaram o pai de L.F.S.M., que é procurado por envolvimento com tráfico interestadual de drogas e possui condenação de 9 anos a cumprir em regime fechado.
As investigações começaram após o registro de furtos de três caminhonetes Nissan Frontier, ocorridos entre outubro e novembro de 2025, sendo dois casos em Araçatuba e um em Votuporanga. A partir do trabalho investigativo, nove pessoas foram identificadas como integrantes do grupo criminoso.
Esquema sofisticado
Segundo a Polícia Civil, o esquema era altamente sofisticado. Os criminosos monitoravam as vítimas e, no momento em que elas estacionavam os veículos, utilizavam dispositivos eletrônicos, como o “Flipper Zero”, para captar o sinal do controle e destravar as portas. Em seguida, com outro equipamento, conseguiam ligar o veículo em poucos segundos e fugir sem levantar suspeitas.
Após os furtos, os veículos eram levados para uma chácara no bairro Viadinho, em Birigui, onde passavam por um processo de adulteração completa, com alteração de chassi, motor e vidros, transformando-se em “clones” praticamente perfeitos.
As investigações também apontaram a participação de um empresário de Birigui, do ramo ligado ao Detran, identificado pelas iniciais A.M., de 61 anos. Segundo a polícia, ele teria papel fundamental no esquema ao viabilizar consultas e a regularização fraudulenta dos veículos adulterados.
Ele foi acompanhado durante os procedimentos pelo advogado Jerônimo Júnior, que se manifestou sobre o caso: “Nosso cliente nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas e irá colaborar com as investigações. Confiamos que, ao final, todos os fatos serão devidamente esclarecidos dentro do devido processo legal”, afirmou o defensor.
Prisões na Grande São Paulo
Nos municípios de Itaquaquecetuba e Poá, outras cinco pessoas foram presas, incluindo:
- o líder da organização criminosa
- sua esposa, responsável pelo suporte financeiro
- dois executores diretos dos furtos
- e um advogado suspeito de integrar o esquema
Ao todo, oito pessoas foram presas e apenas um investigado segue foragido.
Apreensões e crimes investigados
Durante a operação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Birigui, Buritama, Itaquaquecetuba e Poá. A polícia apreendeu:
- três veículos, sendo dois com indícios de adulteração
- placas veiculares
- celulares
- computadores
Os envolvidos poderão responder por furto qualificado, adulteração de sinal identificador de veículo, falsidade ideológica, organização criminosa e corrupção, com penas que podem chegar a até 30 anos de prisão.
A operação mobilizou 52 policiais civis e é resultado de um trabalho integrado de inteligência e investigação, que também permitiu o esclarecimento de pelo menos cinco crimes ligados ao grupo.
Todos os presos permanecem à disposição da Justiça. A Polícia Civil segue com as investigações para localizar o foragido e identificar possíveis novos envolvidos.
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