EFEITO DOMINÓ

Alta de acidentes e casos graves eleva ocupação de leitos no HSV

Por Redação | Hospital São Vicente
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação / HSV
Demandas de urgência e emergência impactam na realização das cirurgias eletivas
Demandas de urgência e emergência impactam na realização das cirurgias eletivas

O Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) enfrenta um cenário contínuo de alta pressão assistencial no Pronto-Socorro Adulto, com impactos diretos na realização de cirurgias eletivas e na disponibilidade de leitos para internação. O aumento significativo dos atendimentos de trauma, geralmente causado por acidentes, aliado à entrada constante de casos clínicos graves, tem levado a instituição a operar de forma recorrente sob elevada demanda assistencial.

Em 2025, foram registrados 2.935 atendimentos de trauma na sala de emergência do hospital. Desse total, 1.585 casos - o equivalente a 54% - estão relacionados a acidentes de trânsito, evidenciando o peso desse tipo de ocorrência na demanda por atendimentos de alta complexidade.

Do total de pacientes atendidos por trauma, 1.202 necessitaram de internação hospitalar, o que representa 41% dos casos. Entre os pacientes vítimas de acidentes de trânsito, o índice de internação é ainda mais elevado: 805 pessoas, correspondendo a 67% dos internados por trauma.

Os dados também revelam o impacto desses casos na ocupação prolongada de leitos. A média de permanência hospitalar de pacientes vítimas de acidentes de trânsito foi de 5,89 dias em 2025, com registros que ficam acima desse índice. Esse tempo elevado reduz a rotatividade de leitos e compromete a capacidade do hospital de absorver novas demandas, especialmente cirurgias eletivas.

“Atualmente, observamos um aumento consistente na demanda por atendimentos de alta complexidade, especialmente relacionados a traumas, que exigem intervenção imediata e estão associados a maior tempo de permanência hospitalar. Esse contexto pressiona diretamente a gestão de leitos e a capacidade operacional do hospital, uma vez que os recursos assistenciais - físicos, humanos e estruturais - precisam ser priorizados para os casos de urgência e maior gravidade, com impacto direto na realização das cirurgias eletivas”, afirma o médico e diretor clínico do HSV, Frederico Michelino de Oliveira.

Casos clínicos graves, envelhecimento e internações prolongadas ampliam a pressão

Além dos traumas, o Pronto-Socorro Adulto é referência para o atendimento de condições clínicas graves, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), que demandam resposta imediata e, frequentemente, internações prolongadas em leitos de alta complexidade.

A pressão sobre a capacidade hospitalar também é ampliada por pacientes oncológicos, que frequentemente necessitam de internações para manejo clínico e complicações relacionadas ao tratamento, exigindo acompanhamento especializado e permanência prolongada.

Outro ponto de atenção são os pacientes dialíticos, que permanecem internados na Instituição realizando sessões de hemodiálise enquanto aguardam vaga para tratamento ambulatorial, cujo processo de melhoria segue em alinhamento entre os governos municipal e estadual. Essa permanência prolongada impacta diretamente na disponibilidade de leitos hospitalares, contribuindo para a sobrecarga assistencial.

Soma-se a esse cenário o crescimento dos atendimentos relacionados a quedas de idosos, que também resultam, em muitos casos, em internações e necessidade de cuidados especializados. Dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Jundiaí apontam 740 atendimentos por quedas de idosos em 2025. Em 2026, até 24 de março, já foram registrados 276 casos, indicando tendência de crescimento e reforçando o impacto do envelhecimento populacional sobre o sistema de saúde.

Operação em nível crítico no Plano de Capacidade Plena

Diante desse cenário, o HSV opera de forma contínua sob o Plano de Capacidade Plena (PCP), protocolo assistencial que organiza o fluxo hospitalar em situações de superlotação. O PCP é estruturado em níveis progressivos, conforme o grau de comprometimento da capacidade de atendimento.

Atualmente, o hospital permanece de forma recorrente no nível 3, considerado o mais crítico dentro do protocolo assistencial. Esse indicador aponta que a demanda por atendimentos ultrapassa significativamente a capacidade operacional instalada, exigindo a adoção de medidas emergenciais para garantir a assistência aos pacientes mais graves.

Entre as estratégias adotadas estão a readequação de leitos, a priorização de atendimentos de urgência e emergência e a reorganização dos fluxos internos. Nesse contexto, cirurgias eletivas podem sofrer adiamentos, uma vez que os recursos assistenciais são direcionados para situações de maior gravidade. Esse cenário vem sendo acompanhado por um trabalho contínuo e integrado entre o HSV e a Prefeitura de Jundiaí, assegurando a continuidade de um atendimento já reconhecido pela qualidade, com foco no aperfeiçoamento permanente dos serviços prestados à população.

“A cirurgia eletiva é aquela planejada, feita com o paciente estável e com todo o preparo prévio. Já a cirurgia de emergência acontece quando há risco imediato, como nos casos de trauma, e precisa ser realizada na hora. Nesse cenário, os casos de emergência sempre têm prioridade. Por isso, quando há aumento desses atendimentos, pode haver impacto na realização das cirurgias eletivas”, explica o ortopedista e coordenador da Ortopedia do HSV, Marcelo Munhoz.

O cenário reforça a importância do uso consciente dos serviços de urgência e emergência, além da necessidade de ações integradas de prevenção, especialmente no trânsito e no cuidado com a população idosa. “Mesmo diante desse contexto, o HSV mantém sua atuação como referência regional em atendimentos de alta complexidade, adotando estratégias contínuas para otimizar fluxos, garantir assistência segura e priorizar os casos de maior gravidade”, conclui Frederico.

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