O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Franca decidiu advertir por escrito o presidente da Casa, Fransérgio Garcia (PL), por dirigir um carro oficial do Legislativo com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa durante uma viagem à capital paulista. O parecer final do colegiado foi lido na sessão desta terça-feira, 7.
O portal GCN/Sampi já havia antecipado nessa segunda-feira, 6, a decisão do Conselho de adverti-lo. No parecer final, foi considerada que a atitude do parlamentar fere “deveres previstos no regimento interno, como o respeito às leis, à Constituição e à ética no exercício do mandato”.
Dos três vereadores que compõem o Conselho de Ética - Gilson Pelizaro (PT), Daniel Bassi (PSD) e Donizete da Farmácia (MDB) -, apenas Donizete foi contrário à advertência. O vereador optou por seguir o parecer do Departamento Jurídico, que foi favorável a arquivar o processo contra o presidente da Casa. O resultado foi de 2 a 1 pela penalização.
Por se tratar de uma advertência por escrito - considerada uma punição mais branda - não houve necessidade de votação em plenário. A decisão foi tomada apenas pelos membros do colegiado e posteriormente lida durante a sessão.
Qual denúncia o Conselho de Ética considerou?
Assim como antecipado pelo GCN, o conselho analisou exclusivamente a denúncia de que o vereador dirigiu um carro oficial com a CNH suspensa. De acordo com o parecer final, a conduta violou deveres fundamentais previstos no Art. 2º da Resolução nº 256/2003, especificamente:
- Inciso II: O dever de pautar-se pela observância de protocolos éticos como forma de valorização da atividade pública e do bem comum;
- Inciso III: O dever de cumprir e fazer cumprir as Leis, a Constituição Federal, a Constituição do Estado e a Lei Orgânica Municipal;
- Inciso X: Exercer o mandato com dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular.
A acusação de excesso de velocidade não foi considerada, já que não há registro em documentos oficiais, como autuações por radar. Ainda assim, documentos da concessionária responsável pela locação de veículos à Câmara Municipal indicam que o carro chegou a 161 km/h na rodovia dos Bandeirantes, nas proximidades de Campinas - 33,3% acima do limite permitido na via, que é de 120 km/h.
Por que o jurídico pediu o arquivamento da acusação?
O setor jurídico da Câmara se manifestou favoravelmente ao arquivamento do processo por entender que não havia elementos suficientes para caracterizar quebra de decoro parlamentar. No parecer, os técnicos apontaram fragilidade nas provas apresentadas, destacando que parte do material não possuía validade jurídica plena, por ausência de garantia de autenticidade e integridade, o que comprometeria a chamada cadeia de custódia. Diante disso, foi aplicado o princípio do in dubio pro reo, ou seja, na dúvida, a interpretação deve favorecer o acusado.
Além disso, o jurídico avaliou que eventuais irregularidades administrativas no procedimento de viagem decorreram de falhas operacionais de servidores, já corrigidas, sem indícios de má-fé ou prejuízo ao erário. Esse entendimento afastou a possibilidade de responsabilização direta do vereador nesse ponto.
Em relação à condução do veículo oficial, o parecer considerou que a atitude do parlamentar estaria amparada pelo chamado “estado de necessidade”, uma vez que ele alegou ter assumido a direção diante de um mal súbito do motorista, com o objetivo de preservar a vida e a integridade física dos ocupantes. Com base nesses fatores, o jurídico concluiu que não houve infração passível de punição e opinou pelo arquivamento do caso.
Fransérgio admite que dirigiu, e a justificativa foi considerada 'insustentável'
Em sua justificativa à Comissão, à qual o GCN teve acesso com exclusividade (clique aqui), o vereador afirma que assumiu o volante após o assessor Luís Marcelo Ramalho passar mal, com “variações glicêmicas”. Ele alegou ter agido em “estado de necessidade”, diante de uma situação de perigo iminente.
No parecer, os membros apontaram que não houve comprovação de perigo atual e inevitável, já que o veículo continuou sendo utilizado sem a busca imediata por atendimento médico, o que enfraquece a alegação de urgência.
Também destacaram que a condição de saúde mencionada não caracteriza um risco permanente que justificasse o descumprimento das normas de trânsito.
Por fim, o colegiado considerou que houve culpa, uma vez que o vereador assumiu a direção do carro oficial de forma consciente, mesmo com a CNH cassada, quando deveria ter adotado alternativas legais, como acionar outro condutor habilitado ou buscar atendimento de emergência.
Decisão final
Em entrevista ao GCN nesta terça-feira, o presidente do Conselho de Ética, Gilson Pelizaro, afirmou que a decisão do colegiado - embora contrarie o parecer do jurídico da Câmara - foi totalmente fundamentada no que estabelece o Código de Ética da Câmara de Franca.
Para chegar a essa penalidade, segundo o vereador, o Conselho considerou o fato de o veículo ter chegado à Câmara Municipal com o vereador ao volante, a cassação da CNH de Fransérgio e imagens de praças de pedágio que registraram o carro, entre outras provas.
“Foi tudo feito dentro do que estabelece a legislação. Eu sei que, se dependesse de uns, decretavam pena de morte; se dependesse de outros, era prisão perpétua; se dependesse de outros, era para arrancar sangue, mas nós não podemos seguir desse jeito. A gente tem que seguir aquilo que estabelece a legislação.”
Pelizaro também destacou a necessidade de atualização do regramento da Câmara. “Se eu gosto do código de ética que nós temos aqui? Eu vou dizer para você que eu não gosto e acho que precisa reformulá-lo. Nós vamos fazer isso, porque é um código de 2003”.
Discute-se a possibilidade de alinhar o Código de Ética da Câmara de Franca ao modelo adotado pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), que atualizou as regras de conduta para os deputados estaduais em 2023.
'Vida que segue', diz Fransérgio
Após a leitura da decisão do Conselho em plenário, Fransérgio afirmou à Rádio Difusora que recebeu a advertência com “tranquilidade” e “respeito”. “Obviamente, temos um Conselho de Ética que é sempre pautado pela lei e pela democracia. O conselho votou, e eu recebo com muito respeito. Vida que segue. Temos que continuar trabalhando e trazendo resultados para Franca, buscando sempre projetos e recursos para o nosso município.”
“Agora, é esperar que este prazo vença para que eu possa regularizar a habilitação e voltar a dirigir”, finalizou.
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Comentários
2 Comentários
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piada pronta 6 horas atráse a piada é o povo francano, não atoa todo político é safado se a certeza de impunidade existe, dirigiu sem cnh a denúncia tinha que ser encaminhada pra justiça comum, crime de transito, colocando outras pessoas em perigo mas nããão, ele é presidente da camara. ridículo, desparabéns a todos os envolvidos . -
Francano 8 horas atrásPovo francano, comam mais essa pizza de linguiça...... que vergonha.