A Polícia Civil investiga um caso grave envolvendo uma escola particular de educação infantil localizada na região central de Birigui. Um homem, identificado pelas iniciais V.C.D., de 55 anos — apontado como diretor da instituição por atuar na gestão ao lado da esposa, proprietária da escola —, é suspeito de estupro de vulnerável e maus-tratos contra crianças.
De acordo com o boletim de ocorrência, os fatos teriam ocorrido no dia 5 de março de 2026, por volta das 17h30. O registro da ocorrência foi formalizado na tarde do dia 26 de março de 2026, na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Birigui. Ainda conforme as informações, a escola passou recentemente por uma troca de gestão, uma vez que era administrada por duas mulheres sócias; uma delas deixou a instituição e a esposa do acusado assumiu a direção.
Desde o desligamento da sócia, o marido passou a frequentar a escola, tomando inclusive decisões sobre o corpo docente, o que teria levado ao desligamento de algumas professoras. O fato chamou a atenção de mães, que procuraram a delegacia. Após a saída de educadoras mais antigas, o acusado passou a frequentar as salas de aula e a pegar crianças no colo; de acordo com relatos, ele priorizava o contato físico apenas com meninas.
Relatos das mães
Ainda segundo o boletim de ocorrência, a mãe identificada pelas iniciais D.P.C. relatou que sua filha de 2 anos apresentava, desde o mês de fevereiro, assaduras frequentes na região íntima (parte externa). A criança demonstrava resistência em permitir que a genitora visualizasse a região e as lesões. A mãe também tomou conhecimento de que o acusado teria permanecido em uma sala a sós com a filha, o que aumentou a preocupação com a situação.
Outra mãe, identificada pelas iniciais B.F.C.S., relatou que sua filha de apenas 4 anos também apresentava marcas de assaduras na região íntima. A própria criança teria dito à mãe que "o tio" tirou fotografia da sua "florzinha". A menina demonstrou alteração comportamental após o acusado integrar a gestão da escola.
A mãe da criança de 4 anos relatou ainda que a filha chegou em casa, em alguns dias, com marcas roxas pelo corpo, aparentando ser de mãos de um adulto. Ao questionar o acusado, ele informou que a menina teria se envolvido em uma briga com uma colega e que, pela agressividade da criança, ele precisou fazer força para separá-las. No entanto, a mãe estranhou a resposta, pois a filha não possui histórico de brigas.
A criança relatou à mãe que ficava de castigo na sala do "tio" e que, por vezes, ele não a deixava dormir. Além disso, afirmou que o homem a levou ao banheiro, limpou uma "meleca" que havia em sua "florzinha" e filmava com o celular. A mãe relatou à polícia que sempre orientou a filha que ninguém poderia mexer em suas partes íntimas, exceto a mãe e as professoras mulheres. No último domingo, 8 de março, a genitora verificou marcas de esfolamento na área externa da vagina da criança, que chegou a chorar ao urinar.
O boletim aponta, ainda, a existência de outras crianças possivelmente envolvidas, incluindo um bebê de menos de 2 anos de idade.
Buscas e apreensões
Na manhã desta quarta-feira, 1º de abril, a Polícia Civil cumpriu dois mandados de busca e apreensão relacionados à investigação. As diligências ocorreram na escola infantil, no centro de Birigui, e na residência do investigado, no Residencial Manoela.
Na escola, a equipe policial foi recebida por uma funcionária que franqueou a entrada. Foram apreendidos equipamentos eletrônicos e documentos escolares. Na residência, o acusado recebeu a equipe, não demonstrou resistência e acompanhou as buscas. Foram apreendidos o celular de uso pessoal do investigado e outros eletrônicos. O homem foi conduzido à delegacia para esclarecimentos e liberado em seguida.
De acordo com o boletim, os itens apreendidos incluem notebooks, aparelho celular, equipamento de gravação (DVR) e documentos.
Investigação em andamento
O caso segue sob responsabilidade da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Birigui. As crianças foram encaminhadas para exames periciais e acompanhamento especializado. A Polícia Civil analisa os materiais apreendidos e ouve testemunhas para esclarecer os fatos.
O episódio gerou forte repercussão na cidade e levanta um alerta sobre a importância da vigilância e da proteção infantil no ambiente escolar. As investigações continuam e novas informações podem surgir a qualquer momento.
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