O caso da criança de apenas 4 anos esquecida dentro de uma escola municipal em Birigui ganhou novos desdobramentos e agora também conta com posicionamento oficial da Prefeitura. A mãe da menina, Daiane Alves Ferreira, de 35 anos, relatou momentos de desespero e afirma que a filha está emocionalmente abalada após o episódio.
A criança, aluna do Pré I A em período integral da Escola Municipal Luciano Augusto Canellas, no bairro Vista Alegre, teria sido deixada sozinha dentro da unidade na última quarta-feira (25). O caso veio à tona no fim da tarde, quando a irmã mais velha, de 12 anos foi buscá-la, como fazia rotineiramente com autorização formal da família junto à escola.
“Minha filha sempre buscou a irmã, todo mundo lá conhece ela”, afirmou Daiane. No entanto, naquele dia, a adolescente foi informada de que a criança “não estava mais na escola”. Sem conseguir contato imediato com a mãe, retornou para casa acreditando que outro familiar havia feito a retirada.
Ao perceber que a filha mais nova não estava em casa, Daiane entrou em desespero e retornou rapidamente à unidade. O prédio já estava fechado e sem funcionários. Com ajuda de terceiros, conseguiu acionar a Polícia Militar.
Quando a escola foi reaberta, por volta das 18h30, a criança foi encontrada sozinha. “Ela vinha descendo a rampa, chorando e muito assustada. Disse que tinha ido ao banheiro”, relatou a mãe.
Segundo Daiane, imagens mostram a turma saindo da sala, mas a filha não aparece, levantando a suspeita de que ela tenha saído antes sem ser notada. A mãe também questiona a ausência de conferência antes do fechamento da escola e afirma que, até então, não havia sido procurada por representantes da unidade.
A criança não retornou às aulas nos dias seguintes e, de acordo com a mãe, apresenta sinais de trauma. “Ela acorda chorando e não quer mais ir para a escola”, disse.
Nota da Prefeitura
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Birigui se manifestou por meio da Secretaria Municipal de Educação. Em nota, informou que a retirada da aluna pela irmã de 12 anos havia sido previamente autorizada pela mãe no ato da matrícula, embora não haja consenso do Conselho Tutelar sobre esse tipo de prática.
A administração municipal também afirmou que mantém contato com a família por meio da Assistência Social Educacional e que já iniciou o processo de transferência da criança para outra unidade escolar, conforme solicitado pela responsável.
Ainda segundo a nota, uma psicóloga educacional iniciou atendimento junto aos profissionais da escola para orientação sobre o caso, e equipes técnicas devem realizar acompanhamento da aluna, incluindo visita domiciliar.
Sobre o episódio, a Prefeitura declarou que a criança permaneceu livre dentro das dependências da unidade e que não apresentava sinais de choro até a chegada da mãe.
A Secretaria também destacou que existem protocolos de verificação antes do fechamento da escola e informou que o horário regular de saída ocorre entre 16h e 17h20. De acordo com a versão oficial, a criança foi procurada às 17h33 pela irmã, fora do período padrão.
Por fim, a administração municipal informou que já iniciou a revisão dos protocolos de segurança em toda a rede de ensino, incluindo discussão com o Conselho Tutelar e o Conselho Municipal de Educação sobre a definição de idade mínima para retirada de alunos. A previsão é que novas regras entrem em vigor no início de abril.
O caso segue repercutindo e levanta questionamentos sobre segurança e responsabilidade nas unidades escolares do município.
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