A falta de leitos em Franca segue como um dos principais gargalos da saúde pública, deixando pacientes à espera por dias nas unidades de urgência enquanto aguardam transferência para hospitais, gerando diversas reclamações da população. A informação foi confirmada pelo diretor do DRS-8 (Departamento Regional de Saúde), médico Ricardo Bessa, durante entrevista ao programa "Show da Manhã", com Valdes Rodrigues, na Radio Difusora, nesta terça-feira, 17, ao detalhar que atualmente há pacientes esperando até cinco dias — e, em casos mais graves, até mais tempo — por uma vaga na cidade.
Segundo ele, nesta semana, ao menos 55 pacientes estavam na fila do sistema de regulação estadual (CROSS), aguardando internação. Apesar de a maioria ainda ser encaminhada em até 24 horas, o índice caiu recentemente.
“Antes, a gente conseguia atender cerca de 90% dos casos em até um dia. Hoje, devido à alta demanda, esse número está entre 82% e 84%. Isso significa que mais pacientes estão ficando dois, três ou até cinco dias esperando por leito”, explicou.
Embora o sistema priorize os casos mais graves, situações mais críticas continuam sendo registradas. Durante a entrevista, um ouvinte relatou que uma paciente ficou dez dias internada em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), aguardando transferência para a Santa Casa.
O diretor reconheceu que esses casos existem, embora sejam minoria. “Tem casos raros que ficam uma semana ou até mais. Isso acontece porque os leitos são limitados. A Santa Casa, por exemplo, já chegou a operar com 102% de ocupação, acima da capacidade. A Santa Casa tem respondido bem, tanto no atendimento quanto na rotatividade de leitos, mas há um limite físico. Não tem como ampliar além disso sem estrutura”, afirmou.
Enquanto aguardam vaga, os pacientes permanecem nas unidades de urgência, como UPAs e prontos-socorros municipais, onde recebem atendimento inicial.
De acordo com o diretor, esses pacientes são classificados por gravidade, o que define a prioridade de transferência. “Eles não ficam sem assistência. São diagnosticados e começam o tratamento nas unidades. Mas o ideal é que fossem rapidamente encaminhados para internação, o que nem sempre é possível hoje, infelizmente”, disse.
O problema é considerado estrutural
A falta de leitos não é pontual, mas sim uma carência estrutural de Franca e região, segundo o próprio DRS. Em momentos mais críticos, a fila já chegou a 81 pacientes aguardando internação.
A principal aposta para reduzir a falta de leitos é o Hospital Estadual “Três Colinas”, em Franca. A unidade contará com 221 leitos, mas não começará operando com capacidade total. A abertura será feita em etapas, com expansão progressiva ao longo de até 18 meses.
“Não é possível abrir um hospital desse porte de uma vez. Ele começa com parte dos leitos e vai crescendo com segurança, conforme contratação de equipes e instalação de equipamentos”, explicou.
Na fase inicial, a prioridade será abrir leitos de clínica médica, pediatria e unidades de terapia intensiva (UTI). Especialidades mais complexas, como cirurgias avançadas, serão incorporadas nas fases seguintes.
Apesar das limitações atuais, a expectativa do governo estadual é que o novo hospital ajude a reduzir significativamente o tempo de espera por internações.
“Esse hospital representa um marco para a saúde de Franca. Ele vem justamente para diminuir o sofrimento dessas pessoas que hoje aguardam por leito”, finalizou Bessa.
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