JÚRI POPULAR

Suspeita de furto termina em morte e caso vai a júri em Birigui

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Guilherme Renan/FR
Sala onde acontece o julgamento nesta terça-feira, 17, em Birigui
Sala onde acontece o julgamento nesta terça-feira, 17, em Birigui

O Tribunal do Júri de Birigui realiza nesta terça-feira, 17 de março, o julgamento de um caso que chocou a cidade e expôs as consequências de uma suspeita transformada em violência extrema.

No banco dos réus estará Lucas Vinícius Lopes, 39 anos, acusado de matar Paulo Roberto de Oliveira, 39 anos, com disparos de arma de fogo na madrugada do dia 28 de fevereiro de 2023, na esquina das ruas Leonora Fioroto e Basílio Baffi, em Birigui.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Rodrigo Mazzilli Marcondes, o crime teria sido motivado por uma suspeita equivocada de furto de bateria automotiva.

Segundo consta no processo, dias antes do crime, a bateria de um Fusca pertencente ao acusado havia sido furtada. Irritado com a situação, ele decidiu investigar por conta própria quem seria o responsável.

Ainda conforme a denúncia, sem procurar a polícia ou buscar esclarecimentos oficiais, o acusado passou a procurar o suposto autor do furto pelas ruas da cidade.

Na madrugada do crime, a vítima caminhava tranquilamente ao lado da companheira pela rua Basílio Baffi, empurrando uma bicicleta, quando foi abordada pelo acusado.

“Arvorando-se da condição de polícia, patrulhava pelas ruas à caça do ladrão de baterias”, descreve o MP. O réu abordou a vítima de forma agressiva e exigiu saber onde ela morava.

Após uma primeira abordagem e uma resposta irônica da vítima, o acusado deixou o local, foi até sua residência, pegou uma arma de fogo e retornou minutos depois.

Na nova abordagem, segundo o Ministério Público, a situação escalou rapidamente. Assustada, a vítima pediu para a companheira se afastar, momento em que o acusado sacou a arma e efetuou os disparos.

Ainda conforme o documento judicial, foram cinco tiros, sendo que três atingiram Paulo Roberto, que morreu no local em decorrência de anemia aguda causada por hemorragia interna traumática, conforme apontou o laudo necroscópico.

Na denúncia, o Ministério Público afirma que o crime foi cometido por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa da vítima, já que a arma foi sacada de forma repentina durante a discussão.

“Assim agindo, o denunciado atuou impulsionado por motivo fútil, pois matou a vítima em razão de uma simples e errônea suspeita de que ela havia lhe furtado uma bateria de carro”, destaca a denúncia do MP.

Posteriormente, as investigações apontaram que o verdadeiro autor do furto da bateria automotiva não era a vítima do homicídio. Conforme consta nos autos, o suspeito pelo crime patrimonial foi identificado como Paulo Cesar Xavier, que acabou sendo preso dias depois no bairro ArtVille, em Birigui, acusado de envolvimento em furtos de baterias na região.

A informação reforça a tese apresentada pelo Ministério Público de que o assassinato teria sido motivado por uma suspeita equivocada, que terminou de forma trágica.

O caso tramita sob a condução da magistrada Moema Moreira Ponce Lacerda, da Justiça de Birigui, e agora será analisado pelos jurados do Tribunal do Júri, responsáveis por decidir pela condenação ou absolvição do acusado.

O julgamento promete movimentar o Fórum da cidade, já que o caso gerou grande repercussão à época dos fatos e levanta discussões sobre justiça pelas próprias mãos e violência motivada por suspeitas.

A sessão deve ouvir testemunhas, análise das provas e os debates entre acusação e defesa antes da decisão final realizada pelos sete jurados do Conselho de Sentença.

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