'COQUINHA ZERO'

Refrigerantes “zero” aumentam risco de gordura no fígado; VEJA

Por Will Baldine | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Entre os participantes que consumiam bebidas com açúcar, o aumento de risco foi de cerca de 50%
Entre os participantes que consumiam bebidas com açúcar, o aumento de risco foi de cerca de 50%

Um estudo apresentado no congresso UEG Week 2025 indicou relação entre o consumo de bebidas adoçadas artificialmente, conhecidas como “diet” ou “zero”, e maior risco de problemas no fígado. A pesquisa comparou os efeitos dessas bebidas com os de versões com açúcar.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 123 mil participantes do banco britânico UK Biobank. No início do acompanhamento, nenhum deles tinha diagnóstico de doença hepática. O grupo foi observado por cerca de dez anos.

Saiba mais:

Durante o período, foram avaliados dois tipos de bebidas: as adoçadas com açúcar e as adoçadas com adoçantes artificiais. Os resultados indicaram que pessoas que consumiam mais de 250 gramas por dia — quantidade equivalente a uma lata — tiveram aumento de 60% no risco de desenvolver Doença Hepática Gordurosa Associada à Disfunção Metabólica.

Entre os participantes que consumiam bebidas com açúcar, o aumento de risco foi de cerca de 50%. Ao longo do estudo, 1.178 pessoas receberam diagnóstico da doença e 108 morreram por causas relacionadas ao fígado.

Os dados também mostraram associação entre bebidas adoçadas artificialmente e mortes por doenças hepáticas. Segundo os pesquisadores, esse resultado não apareceu entre os consumidores de bebidas com açúcar.

As análises indicaram ainda que os dois tipos de bebida contribuíram para o acúmulo de gordura no fígado.

Os cientistas também avaliaram cenários de substituição do consumo. Quando refrigerantes foram trocados por água, o risco de desenvolver a doença caiu 12,8% entre consumidores de bebidas com açúcar e 15,2% entre os que ingeriam versões com adoçantes artificiais. A troca entre bebidas açucaradas e diet não apresentou redução de risco.

De acordo com os autores, os adoçantes artificiais podem interferir em processos metabólicos e na microbiota intestinal, fatores associados ao funcionamento do fígado.

Os pesquisadores afirmam que os resultados indicam a necessidade de novos estudos sobre os efeitos metabólicos das bebidas adoçadas artificialmente.

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários