COTIDIANO

Times Square no centro de SP pode ser fim da Lei Cidade Limpa

Por Clayton Casteliani | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Google Street View
O edifício Independência, onde funciona o Bar Brahma, não receberá painéis físicos, mas será o local de projeções mapeadas noturnas
O edifício Independência, onde funciona o Bar Brahma, não receberá painéis físicos, mas será o local de projeções mapeadas noturnas

O recente avanço do projeto que prevê uma "Times Square" no centro da capital paulista reacendeu o debate sobre a flexibilização da Lei Cidade Limpa, regra-símbolo da gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) que há duas décadas baniu placas publicitárias que escondiam a arquitetura paulistana.

Esse avanço é um passo importante para o projeto porque as instalações, caso ocorram, estarão em áreas envoltórias de edifícios tombados. Mas medida só sairá do papel se houver a aprovação de um termo de cooperação por parte da CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana). Esse grupo, composto por integrantes do poder público e da sociedade, tem entre suas principais atribuições a defesa da Cidade Limpa.

Caso obtenha a aprovação da CPPU da forma como está, o termo terá validade por três anos e prevê um investimento de pouco mais de R$ 53 milhões para implantação e manutenção dos painéis. Uma parte menor do recurso, de R$ 2 milhões, será a contrapartida para restauração de pontos históricos do centro.

Tratada com entusiasmo por comerciantes do entorno e pela equipe do prefeito Ricardo Nunes (MDB) devido ao seu potencial de fomentar atividades econômicas e contribuir com a requalificação da região central, a criação desse tipo de exceção é vista por defensores da lei como um "cavalo de Troia" que pode estimular a multiplicação de luminosos por toda a cidade.

Preocupação que motivou a representação paulista do IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil) a criar um grupo de trabalho voltado para discutir a paisagem urbana em meio ao risco da proliferação de painéis de LED.

Integrante dessa comissão, o urbanista Lucas Chiconi afirma que a disseminação irregular desse tipo de publicidade ganhou forte impulso a partir do momento em que o debate sobre a Times Square veio à tona na cidade há cerca de dois anos. "Temos que discutir os riscos disso se espalhar para outras áreas, da Faria Lima ao Tatuapé", comentou.

Em nota, a gestão Nunes afirma que a implantação do projeto está condicionada à aprovação na CPPU e que o Boulevard São João seguirá as normas previstas.

Um dos pontos centrais da Lei Cidade Limpa é a proibição total à propaganda de terceiros em painéis externos, limitando esse tipo de veiculação aos abrigos de ônibus e relógios de rua. Mas termos de cooperação permitem flexibilizações pontuais. Em geral, brechas são abertas para projeções de imagens ligadas à promoção de atividades culturais e manifestações artísticas.

No caso da proposta da Times Square paulistana, informações culturais e institucionais vão ocupar 70% do que será transmitido nos painéis. Os outros 30% serão destinados aos apoiadores, ou seja, à publicidade de empresas que vão investir no projeto.

Parte do recurso obtido por esses patrocinadores permitiria o restauro de três elementos históricos da região, sendo o principal deles a fachada da Igreja dos Homens Pretos, no largo do Paiçandu. No mesmo local, o benefício se estenderia ao monumento Mãe Preta. Outro equipamento tombado que passaria a ser preservado com o recurso é o Relógio de Nichile, na praça Antônio Prado.

Os painéis seriam instalados em quatro edifícios principais: o Cine Paris República, o edifício Herculano de Almeida, a Galeria Sampa e o Edifício New York, também conhecido como o prédio do relógio do Citibank, na esquina das avenidas Ipiranga e São João.

O edifício Independência, onde funciona o Bar Brahma, não receberá painéis físicos, mas será o local de projeções mapeadas noturnas. Isso incluiria o prédio no roteiro, mas evitaria que sua fachada histórica fosse ocultada por estruturas permanentes.

A Fábrica de Bares - empresa dona de lugares tradicionais do centro de São Paulo, incluindo o Bar Brahma - ficaria responsável pela implantação.

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