BAURU E REGIÃO

Queda da Selic deve impulsionar mercado imobiliário de Bauru

da Redação
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Divulgação
Bruno Pegorin Netto, diretor regional do Secovi
Bruno Pegorin Netto, diretor regional do Secovi

A expectativa de início do ciclo de queda da taxa básica de juros começa a redesenhar o cenário do mercado imobiliário em Bauru e região, com projeções positivas para 2026. Atualmente em 15% ao ano — o maior patamar registrado nos últimos 20 anos —, a Selic deverá entrar em trajetória descendente a partir de março, segundo sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) prevê que a taxa chegue a 12,5% ao final deste ano, movimento que tende a facilitar o acesso ao crédito e aquecer o mercado imobiliário.

Para o diretor regional do Secovi-SP em Bauru, Bruno Pegorin Netto, mais importante do que a intensidade da redução é o início do ciclo de queda. "Essa sinalização do Banco Central aumenta a confiança de que os cortes vão começar de fato e ajuda o consumidor a destravar decisões que exigem planejamento de longo prazo e que vinham sendo adiadas, como a aquisição de um imóvel", avalia.

Embora não seja o único fator que determina as taxas de financiamento, a Selic exerce influência direta sobre o custo do crédito no país. Além disso, com a perspectiva de juros mais baixos, os investimentos em renda fixa se tornam menos atrativos, o que pode provocar a migração de parte dos recursos aplicados para o mercado imobiliário.

O impacto da redução dos juros, porém, não deve ocorrer de maneira uniforme entre os segmentos. Nos imóveis econômicos, enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, o efeito tende a ser mais limitado, visto que os financiamentos utilizam recursos do FGTS e contam com subsídios públicos. Já o mercado tradicional, com imóveis voltados à classe média, deve sentir um reflexo mais direto.

"Essa faixa imediatamente superior à econômica é penalizada pela inflação, que tira o poder de compra das famílias, e pelo aumento do valor das parcelas em razão dos juros. Com a expectativa de queda, mesmo quem faz o financiamento agora pode pagar parcelas menores a partir do ano seguinte, em contratos cujas taxas variam conforme a Selic", destaca Pegorin.

Levantamento da regional do Secovi mostra que, entre janeiro e setembro de 2025, foram lançadas 1.809 unidades habitacionais em Bauru, sendo 63% com valor de até R$ 230 mil, dentro do Minha Casa, Minha Vida. Neste segmento, após anos marcados por lançamentos predominantemente verticais, a demanda por casas começou a ser atendida com mais intensidade.

Esses empreendimentos horizontais estão concentrados principalmente na zona Norte, onde há maior disponibilidade de áreas, com moradias vendidas ao preço médio de R$ 205 mil — frente aos R$ 225 mil dos apartamentos. Segundo Pegorin, além do valor, aspectos como ausência de taxa condominial, possibilidade de intervenções do imóvel e maior liberdade de uso, inclusive para famílias com animais de estimação, pesam na decisão de compra.

Já no mercado tradicional, a localização é um fator determinante, com forte concentração na zona Sul e projetos diversificados, voltados a estudantes, locação de curta temporada, comércio e serviços. Há ainda empreendimentos residenciais com unidades maiores avançando para os limites urbanos de Bauru.

"Os preços dos lançamentos vêm acompanhando a inflação ou apresentando valorização ligeiramente superior, sem movimentos tão agressivos quanto em outros setores de bens duráveis, como o automotivo, por exemplo. Isso abre espaço para ganho real ao investir agora em imóveis. Então, esperamos uma absorção muito positiva do estoque no mercado econômico e um aquecimento consistente no tradicional ao longo de 2026", afirma.

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