FUTEBOL

Taça da Supercopa consolida novo momento do Corinthians

Por Renan Liskai | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Rodrigo Coca/Corinthians
A Supercopa dá um 'impulso moral' ao clube em meio à reestruturação
A Supercopa dá um 'impulso moral' ao clube em meio à reestruturação

A Supercopa Rei, conquistada com 2 a 0 em cima do Flamengo, garante ao Corinthians mais um passo na reestruturação pela qual o clube passa após o caos político e financeiro instaurado nos últimos anos.

Este é o terceiro título do Corinthians em um espaço de um ano. Antes, o clube havia conquistado o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, ambos em 2025. O primeiro ainda na gestão Augusto Melo, e o segundo já com Osmar Stábile no poder.

O clube tem R$ 2,8 bilhões em dívidas, mas vive ambiente mais calmo. Ainda que com títulos, o ano de 2025 ficou marcado pelo impeachment de Augusto Melo, a investigação do uso dos cartões corporativos por ex-presidentes do clube e o transfer ban sofrido na Fifa. Em 2026, o Corinthians se livrou do ban e tem cenário político menos efervescente.

Se não garante muito dinheiro, a Supercopa dá um "impulso moral" ao clube em meio à reestruturação. A conquista acontece justamente contra um dos clubes mais ricos do Brasil e algoz três vezes nos últimos anos: o Flamengo despachou o Corinthians na final da Copa do Brasil de 2022, nas oitavas da Libertadores de 2022 e na semifinal da Copa do Brasil de 2024. Além disso, o Flamengo é o atual campeão continental.

O Flamengo foi a "cereja do bolo" em uma jornada que teve outros bichos-papões pelo caminho. Para jogar a Supercopa, o Corinthians teve de conquistar a Copa do Brasil e, durante este processo, eliminou Palmeiras e Cruzeiro. Juntos com o Flamengo, eles foram os três melhores times do último Brasileirão.

A CBF ainda vai anunciar quanto cada time irá receber pela final. No ano passado, o campeão ficou com R$ 12 milhões, e o vice levou R$ 6,05 milhões para casa.

O título também tem seu lado dèjá vu. O Corinthians se tornou bicampeão da Supercopa justamente contra o rival que bateu no seu primeiro título, em 1991. Naquele ano, a equipe, então campeã brasileira de 90, venceu o Fla por 1 a 0 na decisão. Com a taça de hoje, o clube paulista se tornou o segundo maior campeão da competição, ficando atrás justamente do Flamengo, que tem três.

Timão 'low profile'

O Corinthians campeão hoje tem caras novas dentro e fora de campo. Marcelo Paz assumiu como executivo de futebol e foi realista: o ano não teria "loucuras".

Até agora, o time anunciou três reforços a custo baixo: o zagueiro Gabriel Paulista (de graça), lateral Pedro Milans (de graça) e o meia Matheus Pereira (empréstimo com compensação financeira baixa). O goleiro João Ricardo e o meia-atacante Kaio César devem ser anunciados em breve, também emprestados.

Não podemos e não faremos loucuras financeiras. Foram essas loucuras que trouxeram a situação instável do Corinthians hoje. Temos de ser criativos para trazer jogadores livres, por empréstimo, mas com competência para jogarem no Corinthians. A marca é muito forte. Marcelo Paz, em 9 de janeiro

O cenário é completamente oposto ao do outro finalista. Enquanto o Corinthians viu a negociação com o São Paulo pelo empréstimo de Alisson melar por não conseguir pagar R$ 1 milhão, o Flamengo acertou a compra de Lucas Paquetá por R$ 263 milhões, a maior de um clube brasileiro na história.

Agora, o Corinthians volta a olhar para outros torneios. No Paulistão, mira se manter no topo. No Brasileirão, a meta é ser mais protagonista e ficar entre os primeiros após anos ruins. A Libertadores e a Copa do Brasil começam mais para frente.

Seja como for, o planejamento para a Supercopa deu certo. Já contando com alguns reforços, Dorival Júnior rodou o elenco nas primeiras rodadas do Paulistão, deu ritmo ao titulares na abertura do Brasileirão, contra o Bahia, e deixa Brasília com a taça.

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