O corpo da feirante Dagmar Grimm Streger, 76 anos, que foi retirado nesta quarta-feira (21) de um poço desativado com cerca de 30 metros de profundidade localizado na propriedade onde ela morava, na zona rural de Bauru, após operação complexa de resgate que durou três semanas (leia abaixo), será sepultado nesta sexta-feira (23), às 9h30, no Cemitério Parque Jardim do Ypê. Investigações conduzidas por equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apontam que ela foi vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte). Os caseiros do local estão presos por suspeita de envolvimento no crime.
Conforme divulgado pelo JCNET/Sampi, a força-tarefa para resgatar o corpo de Dagmar reuniu equipes da Secretaria de Infraestrutura (Obras) de Bauru, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros e foi necessário escavar uma cratera gigantesca no entorno do poço de sua propriedade, no bairro Rio Verde.
Além da enorme abertura de terra, outra dificuldade foi remover vários sacos de adubo que o casal de caseiros Paulo Henrique Vieira, 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, 40, jogou sobre a vítima no poço, supostamente para mascarar o cheiro da decomposição, apurou a reportagem.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a operação de resgate do corpo foi considerada uma das mais complexas e de alto risco já realizadas pelos bombeiros na região, em razão da profundidade extrema do poço, da instabilidade do solo e da proximidade com as fundações da residência.
"Sob coordenação direta do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, foi desenvolvido um rigoroso planejamento de engenharia de resgate, com escavações realizadas no entorno da boca do poço, de forma controlada e progressiva, a fim de garantir a estabilidade do terreno e a segurança das equipes envolvidas", declarou.
Entre os principais fatores de risco enfrentados, segundo a corporação, estavam a instabilidade geológica, com elevado risco de deslizamentos ao longo de toda a escavação; a presença de gases tóxicos, exigindo monitoramento contínuo da qualidade do ar e ventilação forçada; o grande volume de entulho e material compactado, utilizado para ocultação do corpo, o que demandou remoção manual criteriosa para preservação das provas periciais; e uma camada final de aproximadamente 30 centímetros de argila extremamente compactada, encontrada ao término da escavação, o que aumentou significativamente o grau de dificuldade e o tempo necessário para a conclusão segura da operação.
"Após a conclusão da escavação até a profundidade aproximada de 30 metros, bombeiros especializados desceram ao fundo do poço para realizar a retirada manual dos restos mortais, etapa que exigiu elevado preparo técnico, precisão operacional e resistência física e emocional das equipes envolvidas, sempre em consonância com os procedimentos da Polícia Técnico-Científica", explica o Corpo de Bombeiros.
De acordo com o comando da operação, "esta missão exigiu não apenas força operacional, mas planejamento estratégico, inteligência logística e gerenciamento rigoroso de riscos, sempre com o objetivo de garantir a segurança dos profissionais e possibilitar a entrega do corpo aos familiares, para que pudessem sepultar dignamente seu ente querido".
"O Corpo de Bombeiros destaca a integração entre as forças de segurança pública, em especial a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Polícia Técnico-Científica, bem como a atuação fundamental da Secretaria de Obras da Prefeitura Municipal de Bauru. Ao final, o 12.º Grupamento de Bombeiros registra agradecimento especial ao senhor Etelvino (Teo), diretor de Obras da Prefeitura, Benedito César da Costa Bezerra, Márcio José Ferreira da Silva, Edio Carlos de Souza e Fabio Roberto Draghi que, desde o início das operações, estiveram ao lado do Corpo de Bombeiros, prestando apoio técnico e operacional decisivo para o cumprimento do objetivo da missão", completa a nota.
Relembre o caso
A feirante estava desaparecida desde o dia 19 de dezembro de 2025. As investigações conduzidas pela Polícia Civil indicaram a ocorrência de crime de latrocínio e resultaram na prisão temporária, em 24 de dezembro, no Paraná, do casal de caseiros que trabalhava na propriedade dela há cerca de quatro anos.
Com base em informações de que o corpo de Dagmar teria sido jogado no poço pelos suspeitos após o assassinato dela, foi solicitado o apoio do Corpo de Bombeiros de Bauru, que iniciou suas operações no local no dia 29 de dezembro, com acompanhamento da Polícia Científica, responsável pelos trabalhos periciais.
Na tarde desta quarta-feira, após semanas de trabalho ininterrupto desde o início das operações, as equipes localizaram o corpo da vítima, que seguiu para o Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames e, posteriormente, foi liberado a familiares para sepultamento.
Investigações
Agora, a Polícia Civil aguarda informações de instituições bancárias para apurar se houve desvio de dinheiro de Dagmar por parte dos suspeitos no período em que passaram a trabalhar para ela, entre o final de 2019 e o início de 2020. O sigilo bancário foi quebrado pela Justiça, a pedido da polícia.
A reportagem apurou que, inclusive entre feirantes colegas da vítima, que atuam na Praça Nabih Gebara, conhecida como Praça da Assenag, no Jardim Estoril, circulam versões sobre eventuais extorsões praticadas em 2025, ano em que a idosa passou a faltar ao trabalho que mantinha com tanta seriedade.
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