ENTREVISTA

Desafios do Direito Penal: Victória Pache quebra estereótipos

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Guilherme Renan | Folha da Região
Advogada Victória Pache atua com frequência no Direito Penal; destaca compromisso com direitos e garantias fundamentais
Advogada Victória Pache atua com frequência no Direito Penal; destaca compromisso com direitos e garantias fundamentais

A advogada criminalista Victória Pache, 24 anos, casada, de Birigui, é uma das representantes da nova geração de profissionais que chegam ao Direito Penal com visão técnica apurada, postura firme e profundo compromisso com as garantias fundamentais.

Formada em Direito, com especialização direcionada à área penal, construiu sua trajetória pautada na atuação em investigações, audiências de custódia, processos complexos e plenários do Júri. Sua experiência traduz a relevância crescente da defesa criminal em um sistema cada vez mais desafiador.

Segundo ela, a defesa penal ocupa papel indispensável no equilíbrio processual. “A defesa penal é superimportante no âmbito processual, porque, sem a defesa, o processo não consegue exercer sua real função, garantindo então que os direitos do acusado sejam respeitados”, afirma.

Nesta entrevista exclusiva, Victória fala sobre estereótipos, preconceitos, rotina de trabalho, tecnologia, direitos do acusado, machismo na profissão e o impacto do Tribunal do Júri na formação de uma criminalista.

O papel do advogado criminalista

Como explicar o trabalho de uma criminalista para quem ainda tem estereótipos sobre a área?

Ela resume de forma direta: a criminalista é a profissional responsável por garantir que o Estado respeite direitos, que as provas sejam produzidas de forma legítima e que ninguém seja condenado sem um processo justo.

Por que o direito de defesa é fundamental?

“Porque toda acusação parece ser verídica até que se prove o contrário. O papel do criminalista é justamente mostrar os dois lados da moeda”, explica.

Ainda existe preconceito com quem atua no Penal?

Segundo Victória, muito. “As pessoas acreditam que advogados criminalistas são criminosos. A melhor forma de lidar com isso é exercendo um bom trabalho técnico e garantindo que cada vez mais as pessoas tenham seus direitos respeitados, independentemente de opiniões alheias.”

Rotina e desafios da profissão

Para ela, o maior desafio diário é manter a racionalidade: “É exercer uma linha lógica e técnica, sem deixar se envolver muito com o caso.”

Em situações emocionalmente complexas, a postura é a mesma: técnica acima de tudo. Victória conta que um caso específico marcou sua trajetória: “Um caso de homicídio em que o réu era hipossuficiente financeiramente despertou em mim um interesse maior pela área criminal. Pessoas menos favorecidas carecem de defesa plena.”

Atuação em audiências e no Tribunal do Júri

A atuação no Júri, segundo ela, é única. “É fazer a ponderação entre as leis técnicas e o convencimento mais coloquial para os jurados. Diferente dos juízes togados, os jurados não têm conhecimento jurídico, então a diferença está em trazer o mundo jurídico para a realidade comum.”

Sobre as habilidades indispensáveis, ela é direta: “Comunicação, oratória e persuasão.”

E pressão extrema? É rotina. “Tribunal do Júri é uma constante panela de pressão, principalmente por parte da acusação.”

Temas atuais e relevantes

Como avalia o cenário atual da criminalidade no Brasil?

“O país tem um alto índice de criminalidade. Porém, a forma como isso é gerido e reprimido é errônea, agravando o problema e criando um ciclo vicioso.”

A tecnologia, por outro lado, trouxe mudanças importantes: “As provas digitais estão cada vez mais presentes nos processos penais e, se bem trabalhadas, podem ajudar muito na estratégia defensiva.”

Direitos do acusado e garantias legais

O maior equívoco do público, segundo ela, é simples: “Tratar investigado ou acusado como criminoso, esquecendo da presunção de inocência.”

Sobre a frase “advogado criminalista só defende bandido”, ela responde com firmeza: “Só afirma isso quem nunca precisou — e espero que nunca precise — de uma defesa técnica para sanar alguma injustiça. Todos nós estamos passíveis ao processo penal.”

Mulheres no Direito Penal

Victória afirma que atuar na área sendo mulher é “uma luta constante”. “Muitas vezes não confiam no trabalho pelo simples fato de ser uma mulher.”

Às jovens que desejam ingressar no Penal, ela deixa um recado: “Persistam, estudem muito, trabalhem comunicação e lutem pelo sonho. Vale a pena.”

Casos sensíveis e ética profissional

Para separar vida pessoal e trabalho, ela mantém a saúde mental como prioridade. Quando a opinião pública exige condenações rápidas, a resposta é sempre técnica: “Enfrentar com defesa robusta, com muito direito e provas, para que o clamor público não seja determinante.”

Orientação ao público

Procurar um advogado desde o início da investigação é fundamental: “É a chance de sanar um problema na gênese, evitando uma possível denúncia ou condenação.”

Ao ser chamado para depor, a recomendação é objetiva: “Sempre estar acompanhado de um advogado.”

E mesmo sem responder a um processo, consultar um criminalista pode evitar grandes problemas:
“Às vezes, é o que impede que algo simples seja levado ao Judiciário.”

O Dia do Advogado Criminalista

No próximo 2 de dezembro, celebra-se o Dia do Advogado Criminalista, data que reconhece o trabalho de profissionais dedicados à proteção de garantias fundamentais e ao equilíbrio entre acusação e defesa. Uma atuação que exige coragem, preparo técnico e compromisso ético diário.

Fica aqui o reconhecimento a todos os criminalistas, em especial da região de Araçatuba, que, assim como Victória Pache, constroem um sistema de Justiça mais justo, humano e equilibrado.

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