Doze dias depois de deixarem Birigui impulsionados por um chamado espiritual, Jéssica Nogueira dos Santos Gouvea e Paulo Vitor Gouvea retornaram com a promessa cumprida, o coração cheio e a fé renovada. Após caminhar 318 quilômetros pelo tradicional Caminho da Fé até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o casal compartilhou as experiências que marcaram a jornada, uma travessia feita entre lágrimas, dor, paisagens que pareciam tocar o céu e uma espiritualidade que se fortaleceu a cada passo.
No último dia 11 de outubro mostramos aqui na Folha, a história do casal biriguiense que se preparava para iniciar a peregrinação de 318 quilômetros até o Santuário Nacional de Aparecida. Agora, com a promessa cumprida e a jornada concluída, eles relatam como foram os dias de caminhada, os desafios enfrentados e as experiências espirituais que marcaram a travessia.
Segundo Jéssica, um dos momentos mais emocionantes ocorreu ao avistar, pela primeira vez, a cúpula do Santuário ao longe. “Tocava Romaria na caixa de som de alguém. Eu chorei na hora. Não pelo santuário em si, mas pela sensação de estar conseguindo concluir algo que foi muito difícil para mim”, relembra.
Para Paulo, o ápice foi ao chegar ao quilômetro 100, ponto que faz referência ao milagre da peregrina Luciana. “Foi como pisar num solo onde certamente os anjos cuidaram dela”, contou. As subidas exaustivas, segundo eles, “rendiam vistas incríveis que faziam impossível não ver Deus”.
Entre dor, medo e resiliência
Apesar da entrega espiritual, a travessia não foi simples. Jéssica sentiu dores intensas desde o primeiro dia. “Cheguei a pensar que não conseguiria. No quinto dia, percorremos 27 km sem apoio. Subidas, descidas, meus joelhos doendo e, no final, ainda fui picada por uma abelha. Ali eu me questionei por que estava passando por aquilo”, disse. A dúvida durou pouco: “Após alguns minutos de descanso e oração, entreguei nas mãos de Deus e continuei”.
Paulo, embora fisicamente bem, temeu por ela. “Não pensei em desistir, mas tive medo que minha esposa se machucasse e não pudéssemos continuar.” Mesmo assim, seguiram juntos, um cuidando do outro.
Fé em meio ao cansaço
Conciliar o esforço físico com a espiritualidade foi, segundo Jéssica, um dos maiores desafios. “É difícil sentir dores intensas e seguir rezando, confiando que Deus te dará forças. Você duvida de você e, em algum momento, até da força da sua fé.” Ao fim de cada dia, a sensação era de esgotamento total. “E no dia seguinte Deus renovava minhas forças para seguir caminhando”, afirmou.
O instante em que finalmente alcançaram Aparecida ficará guardado para sempre na memória dos dois. “Foi maravilhoso, uma sensação de dever cumprido. Choramos de felicidade e contentamento”, relatam. A alegria, disseram, veio acompanhada da certeza de que obedeceram a um chamado que não poderia ser ignorado.
O que o caminho ensinou
Para o casal, a peregrinação transformou não só a fé, mas também a relação. “O caminho muda a gente, amadurece nossa fé e nos faz lembrar que Deus está presente em tudo, especialmente nas pessoas”, diz Jéssica. Paulo concorda e acrescenta: “Fortaleceu nossa relação como casal. Aumentou nossa confiança no sentido de que um tem condições de cuidar do outro quando necessário”.
Mais do que cumprir uma promessa, Jéssica e Paulo voltam com a certeza de que alguns caminhos são feitos para moldar, curar e ensinar, e que, mesmo quando as pernas não aguentam, a fé sempre encontra um jeito de seguir adiante.
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