Um dos julgamentos mais aguardados do mês ocorre nesta quinta-feira (13), a partir das 9h, no Fórum de Birigui. Será julgado Washington Elias Reliquias de Souza Sarmento, que está preso, acusado de matar e ocultar os corpos de Jimmy Pereira da Silva e Caroline Batista Froes. Também será julgada pelo corpo de jurados Kathlen da Silva Ferreira, pela imputação de ocultação de cadáver.
O Ministério Público será representado pelo promotor Rodrigo Mazzilli Marcondes, que sustenta a tese de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Na denúncia, o promotor afirma que Washington, “mediante meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas, matou-as com golpes de faca enquanto estavam despidas e sem possibilidade de reação”.
Segundo a acusação, o crime ocorreu na madrugada de 22 de novembro de 2023, na residência onde o réu vivia com Kathlen, nos fundos de uma casa na Rua Severo Xavier Soares. Após consumo de bebidas alcoólicas, cocaína e relações sexuais em grupo, Washington teria desferido 13 golpes de faca contra Jimmy — 12 no tórax e abdômen e um no pescoço. Caroline foi atingida por dois golpes na região cervical, após ter um dos olhos perfurado. Ambos morreram por esgorjamento, conforme o laudo necroscópico.
Durante a instrução, Kathlen — que responde em liberdade provisória — foi excluída da acusação de homicídio, restando a imputação apenas pelo crime de ocultação de cadáver, à luz dos laudos e provas periciais.
De acordo com o Ministério Público, após o crime, Washington teria amarrado toalhas nos pescoços das vítimas “para conter o extravasamento de sangue” e enrolado os corpos em lençóis, com tentativa de ocultação e fuga, descoberta no dia seguinte.
A denúncia enquadra Washington nos artigos 121, §2º, incisos III e IV, e 211 do Código Penal (homicídio qualificado por meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e ocultação de cadáver).
A defesa de Washington será conduzida pelo advogado Rodrigo Delgado, que afirma que o réu não teve intenção prévia de matar, alegando um momento de descontrole. Já Kathlen será defendida pelos advogados Jerônimo Júnior, Keila Dias e Wanderson dos Santos, que sustentam que ela não participou dos homicídios. “Kathlen foi uma testemunha atônita de um surto violento. Ela não empunhou faca, não desferiu golpes e tampouco ocultou cadáveres ou planejou crime algum”, afirmou Jerônimo Júnior.
O promotor Rodrigo Mazzilli deverá argumentar que Washington “agiu com extrema frieza”, destacando que as vítimas não tiveram possibilidade de defesa. O júri contará com depoimentos de policiais e testemunhas, e a sessão pode se estender por várias horas.
"Revolta enorme", diz o pai de Jimmy
Entre os familiares das vítimas que acompanharam o andamento do caso desde o início, o sentimento é de expectativa e tensão. Luiz Pereira da Silva, pai de Jimmy, afirma que decidiu não comparecer ao plenário para evitar um novo desgaste emocional. Ele descreve que tem vivido a fase mais difícil desde o crime.
“Meu nome é Luiz Pereira da Silva, tenho 54 anos e sou borracheiro móvel. Minha revolta é enorme: um dos acusados está em liberdade, enquanto só o Washington permanece preso. Foi um duplo assassinato — e eu não vou à audiência porque sei que, se eu for, vou perder o controle; prefiro não alimentar mais violência ali dentro”, afirma.
Luiz conta que Jimmy era seu único filho que o auxiliaria no trabalho. Segundo ele, o jovem levava uma rotina simples e tranquila. “Era um menino humilde, sem dívidas e sem passagens pela polícia. As acusações de que ele usava drogas são mentiras: quem fazia uso era o Washington e a companheira dele, que mantinham um comportamento de orgias; meu filho era cristão e se recusou a participar, houve uma discussão e, depois, ele foi atacado.”
Para o pai, a liberdade de um dos envolvidos reforça a sensação de que o caso ainda não encontrou uma resposta definitiva. “Sinto muita revolta pela sensação de impunidade. Quero justiça; não quero vingança, mas também temo pela segurança — e quero que o Estado faça a sua parte e responda com rigor.”
Relembre o caso
O crime gerou grande repercussão em Birigui pela violência registrada nas primeiras horas de investigação. A polícia encontrou os corpos de Jimmy Pereira da Silva, de 21 anos, e Caroline Batista Froes, de 22, enrolados em lençóis e despidos sobre um colchão. Ambos apresentavam cortes profundos no pescoço. O corpo de Caroline tinha vestígios de violência sexual, e Jimmy possuía diversas perfurações no peito, compatíveis com golpes de faca. As toalhas amarradas aos pescoços das vítimas indicavam tentativa de conter o sangue.
A descoberta ocorreu após a cunhada de um dos investigados denunciar o crime, relatando que ele havia confessado o duplo homicídio e indicado o local dos corpos. A motivação permanece indefinida, e não há registros criminais das vítimas.
No imóvel, a polícia localizou roupas ensanguentadas, sacos de lixo e documentos pessoais dos moradores, apontados como suspeitos. O pai da proprietária do imóvel informou que não conseguia contato com a filha desde 21 de novembro e que encontrara chips de celular espalhados pela casa dias antes.
Moradores relataram que a mulher que residia no local era considerada tranquila, mas teria mudado de comportamento após iniciar relacionamento com Washington, que possui condenação por tráfico e estava em liberdade provisória.
O material foi encaminhado à perícia, e os corpos enviados ao Instituto Médico Legal (IML) de Araçatuba para exames necroscópicos e toxicológicos. Os suspeitos foram localizados após o crime e passaram a responder pelo duplo homicídio e pela ocultação de cadáver.
Matéria atualizada às 19h00
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