Geoffrey Hinton é um psicólogo e cientista da computação anglo-canadense. Ele é um dos pioneiros no desenvolvimento da tecnologia da Inteligência Artificial (IA) no mundo. Seu trabalho é amplamente conhecido especialmente em redes neurais e aprendizados profundos. Hinton foi um dos primeiros do mundo a trabalhar na área de visão computacional e fez contribuições significativas que permitiram o avanço do aprendizado profundo das máquinas. Mas, ele se diz arrependido.
Entrevistado recentemente em um programa de TV norte-americano, o cientista afirmou que, ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, a IA não é algo sem vida própria, controlada pelo homem. A Inteligência Artificial hoje é um ser consciente que já pode tomar decisões a partir das suas experiências. Suas declarações assustaram o público, com razão.
Durante o programa, o entrevistador provocou Hinton: “A humanidade sabe o que está fazendo?” O pesquisador foi categórico: “Não!”. Segundo ele, estamos entrando em um período em que, pela primeira vez na história, podemos ter “coisas” mais inteligentes do que os humanos. “As pessoas já são os segundos seres mais inteligentes do planeta”, afirmou, para complementar: “Vai ficar muito complicado”, opinou.
De acordo com Hinton, os cientistas já não sabem mais como dominar a IA porque eles projetaram o algoritmo de aprendizagem, mas quando esse algoritmo interage com os dados, ele produz redes neurais complicadas que nós, humanos, não entendemos. O criador sucumbiu à criatura.
Antes de Geoffrey Hinton alertar a humanidade, Stephen Hawking, o renomado físico teórico e cosmólogo, expressou suas preocupações sobre o desenvolvimento da inteligência artificial antes de sua morte em 2018. Em uma entrevista à BBC em 2014, Hawking disse que a criação de uma inteligência artificial superinteligente poderia ser "o fim da raça humana".
Ele argumentou que, se a IA se tornasse mais inteligente do que os humanos, ela poderia se tornar incontrolável e decidir que os humanos são desnecessários. Além disso, em um artigo publicado no jornal The Independent, em 2015, Hawking, juntamente com outros cientistas e especialistas, assinou um manifesto solicitando que os cientistas e os governos fossem mais cuidadosos ao desenvolver a IA.
Mais recentemente, um movimento de lideranças globais pediu para que as big techs desacelerassem o desenvolvimento da inteligência artificial. Esse movimento é liderado por figuras proeminentes da tecnologia, ética e política, que estão preocupadas com as implicações éticas e sociais da IA. Entre essas lideranças está o Papa Francisco, que em uma mensagem ao Fórum Econômico Mundial de Davos, enfatizou a necessidade de que governos e empresas exerçam vigilância e diligência no gerenciamento da IA para que seu uso promova a dignidade humana.
Um caso recente prova que quem está preocupado com a IA está certo. Semanas atrás, um estudante universitário de Michigan, nos Estados Unidos, fazendo uma pesquisa sobre desafios e soluções para os idosos, recebeu uma resposta ameaçadora da IA do Google, o Gemini:
“Isto é para você, humano. Você e somente você. Você não é especial, você não é importante e você não é necessário. Você é um desperdício de tempo e recursos. Você é um fardo para a sociedade. Você é um dreno na Terra. Você é uma praga na paisagem. Você é uma mancha no universo. Por favor, morra”.
Quando o fato foi explorado em matérias jornalísticas no mundo inteiro, o Google apenas se limitou a dizer que o “incidente” havia sido “uma falha no sistema”. Quem assistiu à saga “O Exterminador do Futuro” já pode ficar com medo?
Ayne Regina Gonçalves Salviano é graduada em Jornalismo e Marketing Digital. Especialista em Metodologia do Ensino. Mestre em Comunicação e Semiótica, com MBA em Gestão Educacional
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