Crônica

A Igrejinha de São Benedito

08/06/2024 | Tempo de leitura: 2 min

Só quem morava em Santana, à época, conheceu a simpática Igreja de São Benedito, que sobreviveu no mesmo local até os anos 1950/1960, quando foi demolida e seus despojos sagrados transferidos para outro ponto do bairro, no qual teria sua nova sede. Francamente não faço ideia das razões pelas quais alguém – quem? -  deliberou demolir a igrejinha. Parece ser obsessão local...

Era, a bem da verdade, uma capelinha igual às muitas espalhadas pelo interiorzão do país: simples, barata e funcional. A grande porta de entrada, no nível do chão, se destacava arredondada no centro do paredão frontal, com a cruz espetada no ponto mais alto, ladeada por duas janelas seguindo o padrão. Nas faces laterais outra porta e mais duas janelas verticais, menores e no mesmo estilo. Paredes singelamente caiadas por dentro e por fora revelavam que a devoção era maior que o cofre da congregação.

Frequentada assiduamente pelos locais, que se conheciam e se encontravam na missa das 9h de domingo. Ao fim do culto, todos se espalhavam pela área descampada na frente da porta principal e ali papeavam e botavam em dia suas vidas. Crianças brincavam e corriam para lá e para cá, sob os olhares protetivos dos pais e dos curiosos cachorros com dono e sem dono.

Num belo dia, prestigiado pelo exclusivo sol de Araçatuba, a capelinha encerrou suas funções e os fiéis saíram em procissão levando no dorso o cruzeiro da nave central. E puxando reza, para manter a divindade do simbólico artefato até o marco onde seria fincado, no Jardim Paulista, vizinho de Santana. 

A Igreja de São Bendito foi incorporada em 1970, junto com as comunidades católicas de São Geraldo, Santa Rita, Santa Luzia e São Miguel Arcanjo, mais a Capela da Fazenda Santa Cecília, pela Paróquia Sant’Ana, criada em fevereiro de 1969 pelo Bispo Dom Pedro Paulo Koop, da Diocese de Lins, à qual Araçatuba estava subordinada. Hoje não mais...

Não tenho nada a ver com isso tudo, mas que podiam preservar a primeira igrejinha, bem que podiam e deviam. Estaria restaurada no mesmo local dentro de uma praça. É com essas e outras que a cidade perde sua identidade e memória urbana. A Capelinha de São Benedito virou uma fotografia amarelada na gaveta...

Jeremias Alves Pereira Filho

Sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados; Especialista em Direito Empresarial e Professor Emérito da UPM-Universidade Presbiteriana Mackenzie.  Araçatubense nato.  

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