Agora é a vez – de novo – da praça João Pessoa, conhecida carinhosamente pelos íntimos como praça da Caixa D’Água, justamente porque naquele espaço público de um quadrado foi erguida pela antiga Prefeitura Municipal, na gestão do Prefeito Aureliano Valadão Furquim, um reservatório elevado de água para abastecer por pressão o então novo e limpo bairro da cidade. Com fundamento técnico, pois a área toda era – e é – tão plana, que complicava a distribuição por tubulação simples, que demandaria alto custo de bombas para movimentar o sistema hidráulico até as torneiras das muitas residências e pouco comércio da época, no bairro adequadamente chamado Higienópolis.
A obra, de belo estilo arquitetônico e competente engenharia, já chamava atenção de todos desde sua construção e muito tempo após, até porque, talvez com exceção da Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, na praça Rui Barbosa, era a segunda maior edificação da cidade, que, do seu topo, descortinava deslumbrante até o horizonte. E, como era padrão urbanístico, no entorno foi criada uma linda praça, com aproveitamento e preservação doarvoredo centenário que disputava em altura com a própria caixa d’água. Cuidaram do mobiliário, iluminação e paisagismo com esmero tanto, que o local passou a ser frequentado civilizadamente pelos habitantes do bairro e visitantes.
O tempo foi passando e as pessoas também. A praça deteriorando pelo descaso geral. As grandes árvores foram removidas ousubstituídas por arbustos de pequeno e médio porte, porque as velhas tinham como fregueses pombos, andorinhas, pardais, maritacas e canários, titulares dopéssimo hábito de nelas estacionar e...fazer cocô. Algum “sanitarista” ensandecido e de plantão, como sempre tem, resolveu levar adiante impune projeto de limpeza e quase acabou com a praça. Mais tempo passou e os poucos vestígios da fase esplendorosa da praçarestaram largados, sujos, quebrados, postes sem globinhos, calçamento de pedras portuguesas desaparecendo, jardins sem jardim e floreiras sem flores. Latões de óleo fazendo vezes de lixeiras, entre as poucas lixeiras de verdade. Ao anoitecer a escuridão assume a praça, estimula o vandalismo e afugenta os frequentadores.
Agora – salve, salve! – a SAMAR (GS Inima), empresa responsável pelo abastecimento de água da cidade, resolveu recuperar a estrutura da caixa d’ água, botando mãos à obra para acabar com infiltrações, rachaduras, reboco e “revitalizando” a pintura substituindo o painel de grafite (já apagou) por cinco desenhos vencedores de um concurso por ela promovido em 2023. A ver! Mas, corre à boca pequena, que tal “revitalização” ficará restrita SÓ ao básico da caixa d’ água, sem cogitar do aproveitamento dos espaços internos da edificação, que seriam adequados para acolher oficina de arte, serviços públicos, sanitários, livraria, cafeteria e até mesmo um pequeno museu histórico do próprio reservatório. Com um mínimo de esforço a SAMAR teria condições de criar um mirante na parte alta do reservatório... E a restauração da praça, como fica? Não fica, porque não é problema da SAMAR! Mas bem que podia ser...
Jeremias Alves Pereira Filho - Sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados; Especialista em Direito Empresarial e Professor Emérito da UPM-Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato.
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