OPINIÃO

Lição de um algoritmo

24/05/2024 | Tempo de leitura: 3 min

Algoritmo é uma palavra que até pouco tempo era desconhecida do público geral e talvez ainda o seja, mesmo para o meu estimado leitor(a) que agracia esta singela coluna com sua atenção, todas sextas pela manhã. O conceito de algoritmo é um conjunto de regras que deve ser seguido para a resolução de um problema, algo que faz muito sentido no meio matemático e da tecnologia, mas não é por essa característica que a palavra se popularizou.

Redes sociais, acessíveis a todos que possuem conexão com a Internet, normalmente por smartphones, se tornaram um elemento do cotidiano, quase tão presente e comum quanto a nossa roupa íntima, entre os cidadãos de cinco a 95 anos de idade.

Estas redes utilizam de inteligências regidas por algoritmos para terem um bom desempenho e ficarem cada vez mais interessantes para seus usuários. Dessa forma, eles ficam cada vez mais "fiéis" e presentes no ambiente virtual.

O interessante é que esses algoritmos, no seu trabalho, acabam por ressaltar alguns desejos que temos, bem como algumas vulnerabilidades principalmente no nosso campo emocional, com as quais podemos aprender muito.

Por exemplo, o algoritmo tem a tendência de colocar à nossa disposição cada vez mais do mesmo conteúdo que costumamos ver, pois aparentemente gostamos dele e o admiramos. Aconteceu comigo! Bastou que eu me detivesse por alguns minutos em uma postagem para ler sobre uma citação do político inglês Winston Churchill que várias citações deste mesmo personagem histórico pipocaram nos meus feeds de notícias feito girassóis em um campo primaveril.

Todas elas com imagens em preto e branco de fundo, escritas em letras de caligrafia impecável, ressaltando os falas e realizações deste político e articulista, que teve o seu momento de maior relevo no desfecho da segunda guerra mundial tal como a vivenciamos e por isso teve grande contribuição para nosso estilo de vida hoje.

Gostei do meu primeiro contato com a citação, contudo mais me liguei ao dito do que a pessoa que o disse. Caso seguisse levianamente essa sensação e a indução gerada pelo famigerado algoritmo, minha tendência era achar que Churchill se tratava de um gênio e um personagem ímpar para a humanidade.

A verdade é que ele é tão ímpar quanto cada ser humano pode ser: único em virtudes e pecados. Somos ímpares em nossos feitos tanto quanto em nossos defeitos. Qualquer processo que leve nossa percepção longe disso é tão real quanto … unicórnios.

O sr. Churchill é tão criticado quanto aclamado, principalmente quando se leva em conta suas decisões em eventos militares anteriores aos da segunda grande guerra. Pergunte a qualquer neozelandês ou australiano sobre a batalha de Gallipoli e ouvirá algumas palavras de baixo calão ditas em um inglês "enrolado" para descrever este político e cavaleiro do reino, que não foi nada gentil quando no comando das forças militares desses povos, tão britânicas quanto ele próprio.

Redes sociais normalmente colocam em evidência momentos de glória e de conquista, mas omitem o caminho para chegar até elas, povoado de falhas, percalços e erros. Muito natural, pois é assim que pessoas reais vivem e se desenvolvem. Imagens e situações virtuais em redes sociais são apenas lembretes e produtos que sempre terão algum viés com a realidade e não se trata necessariamente de relacionamentos com seres humanos de "carne e osso".

Alexandre Martin é médico especialista em acupuntura e com formação em medicina chinesa e osteopatia (xan.martin@gmail.com)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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