Opinião

Mãe é quem fica

13/05/2024 | Tempo de leitura: 3 min

 

 

 

Há uma crônica linda sobre as mães que circula na internet intitulada ‘Mãe é quem fica’. Muitas vezes, sua autoria é atribuída erroneamente à poetisa Cora Coralina (pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas – 1889-1985), que escreveu textos maravilhosos, mas não esse. 

‘Mãe é quem fica’ foi escrito pela psicóloga e escritora Bruna Estrela. O texto começa assim: “Mãe é quem fica depois que todos vão, depois que a luz apaga, depois que todos dormem”. Para continuar, um pouco adiante: “mãe fica quando nem está presente.”

Quem nunca, diante de oportunidades e distante das mães, parou para pensar: o que minha mãe pensaria sobre isso?, o que ela me aconselharia fazer?, será que isso deixaria a minha mãe feliz? 

Sabiamente, a autora também escreveu: “Uma vez que você tenha um filho, nunca mais seu coração estará inteiramente onde você estiver. Uma parte dele sempre fica com eles querendo saber se eles comeram. Se dormiram na hora certa. Se brincaram. Se a professora da escola foi gentil”.

No que me permito acrescentar: será que estão sofrendo bullying na escola? Será que tem bons amigos? Será que alguém está partindo o coração deles? E mais tarde, quando eles já não moram mais com a gente, a mãe ainda fica se perguntando: será que não perdeu a hora da faculdade? Será que não está chegando atrasado no emprego? Está comendo direito? Voltou bem da balada? A verdade é que cabeça e coração de mãe não descansam um só segundo.

 

Como escreveu a autora, “mãe definitivamente fica. Fica entalada no escorregador do espaço kids pra brincar com a cria. Fica espremida no canto da cama de madrugada pra se certificar que a tosse melhorou. Fica com o resto da comida do filho pra não perder mais tempo cozinhando”. Fica até na fila virtual por mais de hora, atrasando o serviço, só para comprar ingresso do show que as crias querem tanto assistir.

 

“É quando a gente fica que nasce a mãe. Na presença inteira. No olhar atento. Nos braços que embalam. No colo que acolhe”, afirma a psicóloga. Onde acrescento: para as mães também cabem as broncas quando os filhos merecem, a chamada da responsabilidade em todas as ocasiões possíveis, a conscientização sobre o banquete das consequências da vida, porque ser mãe é ser mais do que amiga, é ser orientadora, educadora, responsável por criar pessoas melhores para um mundo tão ruim.

 

“Mãe é quem fica. Quando o chão some sob os pés. Quando todo mundo vai embora. Quando as certezas se desfazem. Mãe fica.

Mãe é a teimosia do amor, que insiste em permanecer e ocupar todos os cantos. É caminho de cura”. E digo mais: De cura física, mas especialmente de cura espiritual e psicológica. 

“Nada jamais será mais transformador do que amar um filho. E nada jamais será mais fortalecedor que ser amado por uma mãe. É porque a mãe fica, que o filho vai. E no filho que vai, sempre fica um pouco da mãe...No coração do filho, mãe fica”.

Mãe fica mesmo quando ela se vai, de repente ou aos poucos. Mãe fica nos trejeitos e olhares. Mãe fica nas manias, no modo de pendurar a roupa no varal, de ajeitar a louça na pia, nas receitas das comidas preferidas. 

Mãe fica nos conselhos pela vida, nos exemplos do cotidiano, até naquilo que calou, mas o filho/filha percebeu por tantas vezes que não foram necessárias palavras para exprimir sentimentos.

Mãe fica na compaixão pelos outros. No olhar sensível. Na força pra lutar. Mãe sempre fica.

 

Ayne Regina Gonçalves Salviano. Jornalista, especialista em Didática do Ensino Superior, mestre em Comunicação e Semiótica, MBA em Gestão.

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