ECONOMIA

Dólar cai a R$ 5 antes de dados de inflação dos EUA; Bolsa encosta nos 130 mil pontos

O dólar continuou sua trajetória de queda e caiu 0,49%, fechando o dia cotado a R$ 5,005, enquanto investidores evitam grandes apostas antes de ter os dados de inflação nos EUA.

09/04/2024 | Tempo de leitura: 4 min
da Folhapress

Pixabay

A moeda norte-americana cedeu durante toda a sessão no Brasil em continuidade ao movimento da véspera
A moeda norte-americana cedeu durante toda a sessão no Brasil em continuidade ao movimento da véspera

O dólar continuou sua trajetória de queda e caiu 0,49% nesta segunda-feira (9), fechando o dia cotado a R$ 5,005, enquanto investidores evitam grandes apostas antes da divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos, prevista para quarta-feira (10). Uma nova alta do minério de ferro no exterior também

Os novos números podem influenciar a próxima decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) sobre o início do ciclo de cortes de juros no país e serão divulgados num momento em que investidores adiam suas apostas sobre o afrouxamento monetário americano.

"A inflação persistente tem sido um ponto de discórdia para o Federal Reserve em potencialmente reduzir as taxas de juros. Diversos oficiais alertaram que a inflação elevada poderia potencialmente atrasar os cortes nas taxas este ano", diz a equipe da Guide Investimentos

Na Bolsa brasileira, o dia foi de alta, e o Ibovespa encostou nos 130 mil pontos apoiado principalmente por um alívio nos rendimentos dos títulos americanos e pelo setor financeiro.

A Vale, que começou o dia subindo, passou a cair após um rebaixamento de recomendação de compra feito pelo Bank of America, descolando-se da alta do minério e limitando os ganhos do principal índice da Bolsa. Já a Petrobras teve mais um dia instável, mas garantiu desempenho positivo no fim do pregão.

Com isso, o Ibovespa subiu 0,80%, aos 129.890 pontos, segundo dados preliminares.

"O mercado todo em compasso de espera pelos número de inflação americana, que é super importante para entender se o conforto do Jerome Powell [presidente do Fed] vai continuar em relação às próximas decisões, quando devem cortar juros, quantas vezes vai cortar e qual o tamanho desse corte", diz Pedro Marinho Coutinho, sócio da The Hill Capital.

No câmbio, os preços do minério de ferro foram o principal motivador para a queda do dólar ante o real. A moeda norte-americana cedeu durante toda a sessão no Brasil em continuidade ao movimento da véspera, com o real sendo favorecido pela alta do minério de ferro no exterior.

Em meio à expectativa de melhora na demanda da China, maior consumidor global do produto, o minério de ferro mais negociado para setembro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou com alta de 5,63%. Este é o nível mais alto desde 25 de março, após aumento de mais de 3% na segunda-feira.

"O real está mais ligado hoje às moedas de commodities, como o rand sul-africano e o peso chileno, que também se beneficiam da valorização dos metais", pontuou Carlos Lopes, economista do banco BV. "Mas hoje, especificamente, [o câmbio] está com pouca movimentação, com ausência de dados. O mercado está aguardando os números de inflação dos EUA", acrescentou.

Rugik e um operador ouvido pela Reuters chamaram atenção, no entanto, para a liquidez relativamente reduzida nesta terça-feira, com investidores segurando posições antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, na quarta-feira.

Participantes do mercado no Brasil também seguiam atentos ao noticiário sobre possível mudança na meta fiscal para 2025. O governo tem até o dia 15 para encaminhar ao Congresso o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano.

Sobre o assunto, analistas do Itaú BBA afirmam que a meta de déficit primário zero para 2024 deve ser mantida, mas que o superávit de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) para 2025 é um desafio, já que parte das medidas de arrecadação deste ano decorre de receitas extraordinárias e a probabilidade de implementação de novas medidas é baixa.

"Caso o governo decida pela alteração, seria importante o anúncio de medidas compensatórias, que mantenham uma trajetória de convergência do resultado primário a níveis consistentes com a estabilização da dívida pública a médio prazo", dizem os analistas.

Na segunda (8), a Bolsa brasileira registrou alta de mais de 1% apoiada por um forte avanço das ações da Vale, que surfaram na disparada do minério de ferro no exterior e subiram mais de 5%.

O bom desempenho da commodity também fortaleceu o real, e o dólar registrou queda expressiva em relação à moeda brasileira.

A alta do minério de ferro tem como pano de fundo a esperança de possíveis medidas para reforçar o setor siderúrgico na China e por expectativas de uma onda de reabastecimento pós-feriado por parte de siderúrgicas do país.

Fortes altas da Petrobras e de bancos também contribuíram para a alta da Bolsa.

Com isso, o Ibovespa terminou o dia em alta de 1,62%, aos 128.857 pontos, segundo dados preliminares, enquanto o dólar fechou em queda de 0,96%, cotado a R$ 5,023.

As ações da Vale foram as mais negociadas da sessão e avançaram 5,45%. Já a Petrobras teve alta de 1,49% em seus papéis preferenciais (sem direito a voto) e de 1,38% nos ordinários (com direito a voto).

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