VAI TER AULA?

Estudantes da Unitoledo apontam déficit de professores: 'Como se formar desse jeito?'

Os alunos voltaram às aulas na segunda-feira, 19, e reclamam da carência de professores e da falta de clareza na grade de aulas. Universidade diz que cumpre as normas.

Por Priscilla Andrade | 20/02/2024 | Tempo de leitura: 4 min
da Redação

Reprodução

O coordenador do curso de Publicidade e Jornalismo pede demissão; ele estava substituindo outra coordenadora, que também pediu desligamento do UniToledo Wyden
O coordenador do curso de Publicidade e Jornalismo pede demissão; ele estava substituindo outra coordenadora, que também pediu desligamento do UniToledo Wyden

Pelo celular os alunos consultam a grade de aulas nas plataformas de acesso dos estudantes. Por esse meio é possível saber os horários das disciplinas e quem serão os professores nas matérias específicas para o novo semestre que iniciou na segunda-feira, 19, no UniToledo Wyden, centro universitário de Araçatuba.

No entanto, os recursos oferecidos para que os alunos se preparem para as aulas têm apresentado falhas e até atualizações confusas sobre a grade das aulas dos alunos.

Isso porque a universidade tem enfrentando uma onda de autodemissões de professores, cuja saída impacta diretamente na relação de calendário de aulas. O cronograma inicial entregue aos alunos apresentava vários erros, como por exemplo, disciplinas diferentes marcadas para o mesmo horário e até aulas marcadas para acontecerem aos fins de semana durante a noite. Detalhes que não passaram desapercebidos por alunos, que em algumas realidades, chegam de outras cidades para conseguirem realizar o sonho do ensino superior.

Cobranças erradas
Alguns estudantes procuraram a Folha da Região para expor o que eles chamam de "desordem em todos os níveis". Sob a condição de permanecerem em anonimato, os alunos relataram que a suspeita de que algo não estava normal na administração do centro universitário partiu do momento em que alguns boletos foram emitidos. Um estudante do segundo semestre de administração viu a mensalidade saltar de R$ 1 mil para R$ 2 mil reais, o que gerou uma ansiedade no estudante, que trabalha como estagiário em uma empresa de Birigui.

"O boleto veio totalmente errado. A cobrança indevida englobava matérias a mais, além de um retroativo que já estava pago", explica o aluno, que disse ainda que o caso dele não é isolado.

Coordenadores se demitiram
Uma outra estudante, de 25 anos, do curso de publicidade, contou à reportagem sobre a surpresa e a insegurança do futuro do curso este ano. É que a coordenadora e o substituto do curso informaram o desligamento e comunicaram que não fazem mais parte do quadro de funcionários. A notícia, segundo a universitária, pegou a todos de surpresa, e repercute porque, segundo ela, a situação não foi resolvida.

"A gente se sente perdida, e entende que não deveria chegar a este ponto. Nossa coordenadora informou o desligamento em janeiro, sem dizer o motivo, e na seqüência um outro professor assumiu, e em menos de 30 dias, informou que ele também não estava mais à frente do curso, alegando motivos pessoais", conta a jovem.

A comunicação da saída do coordenador foi feita na segunda-feira, 19, no dia do retorno às aulas. A reportagem apurou que ambos os coordenadores que comunicaram a saída estavam à frente dos cursos de Publicidade e Jornalismo. A Folha da Região tentou contato com os profissionais, mas não teve resposta.

A reportagem também teve acesso a dois prints de um dos grupos mantidos por alunos. Para preservar a identidade dos envolvidos, as imagens foram borradas. Uma das imagens mostra a preocupação dos alunos quanto às disciplinas às quais estão vinculados. Em uma das mensagens, um estudante pergunta: "Como faço para contatar a reitoria? Estamos confusos a respeito das aulas e não vale a pena gastar gasolina e tempo indo até a faculdade, não sabemos se vai ter aula ou não", escreve.

Sobre a saída dos profissionais, a reportagem apurou que a decisão foi tomada por conta da falta de pagamento de salário. Há casos em que os professores estariam sem receber há meses, ou quando recebem, os pagamentos não seriam integrais. Também foi apurado que a situação se estende a pelo menos cinco cursos – Publicidade, Jornalismo, Estética, Biomedicina e Administração.

Uma funcionária da universidade, que pediu para não ser identificada, contou que todos os funcionários receberam instruções específicas para não comentarem sobre o assunto, o que poderia ser interpretado como quebra de sigilo contratual. Com medo, a funcionária disse que o assunto é tratado com máxima cautela.

Posição do UniToledo Wyden
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do UniToledo Wyden, que por meio de nota, respondeu que cumpre todas as obrigações legais e que está à disposição dos alunos para esclarecer as dúvidas.

Leia a nota na íntegra: "O Centro Universitário esclarece que tem o compromisso com a valorização profissional de seus professores e funcionários, e possui um quadro docente preparado e totalmente adequado às necessidades dos cursos ofertados em cada semestre, inexistindo qualquer prejuízo acadêmico para os estudantes. A Instituição reforça que cumpre com todas as obrigações legais. Além disso, está à disposição da comunidade acadêmica por meio dos seus canais de comunicação para o esclarecimento de quaisquer dúvidas".

Alunos questionam sobre a grade de aulas e demissões de coordenadores
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Coordenador que estava substituindo outra professora que também pediu desligamento, comunica os alunos sobre saída
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Campus da Unitoledo em Araçatuba
Campus da Unitoledo em Araçatuba

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