Araçatuba

Fogo e qualidade do ar

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Araçatuba teve dois dias de queda de qualidade do ar por causa das queimadas. Ontem, um foco foi registrado no bairro Alvorada. No dia anterior, a fumaça de outro incêndio chegou a interromper o tráfego na rodovia Marechal Rondon (SP-300), como registrou a reportagem da Folha da Região. Este é um problema recorrente e antigo. No inverno, as queimadas se tornam muito mais comuns. E o ar, que já está seco, fica ainda pior.

 Especialistas alertam que a fumaça fruto destas queimadas contém substâncias tóxicas que se instalam na cavidade nasal e predispõe a quadros graves de alergia respiratória. Com isso tudo, o organismo vê reduzido o seu mecanismo de defesa, que propicia o aparecimento de doenças respiratórias como rinite, sinusite, asma e bronquite.

De acordo com os dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), as doenças respiratórias atingem, em média, 30% da população mundial. Porém, no inverno, a atenção deve ser ainda maior. Por conta da inversão térmica, quando uma camada de ar frio, que é mais pesada, acaba descendo à superfície terrestre e impedindo que o ar quente, mais leve e que por isso fica retido acima, promova a circulação deste ar, aumentando a concentração de poluentes próxima do chão, o que resulta na irritação das vias respiratórias.

As unidades básicas de saúde do município ficam lotadas em dias assim, principalmente de crianças com problemas respiratórios. E quem vai procurar ajuda ainda fica exposto a problemas outros, pois vai dividir o espaço fechado com doentes de Covid-19, por exemplo.

“As UBSs do município ficam lotadas em dias assim, principalmente de crianças com problemas respiratórios.”

O correto seria conter as queimadas, pois elas estão cada vez mais frequentes. Entre 1985 e 2020, o Brasil queimou uma área de 1,67 milhão de quilômetros quadrados, ou 19,6% do seu território. Vira fumaça, por ano, uma área maior do que a Inglaterra. Dentro de toda essa área queimada, 65% foi de vegetação nativa, com os estados de Mato Grosso, Pará e Tocantins como os com maior ocorrência de fogo. Os dados são de um levantamento inédito feito do Projeto MapBiomas, feito após analisar imagens de satélite e divulgado no último dia 16.

A estação seca, entre julho e outubro, concentra 83% das queimadas e incêndios no país, aponta o levantamento. As autoridades locais têm feito campanhas constantes de alerta sobre os perigos destas queimadas para o meio ambiente e para as pessoas, mas muita gente ainda insiste em cometer este crime. Há dois anos, uma usina da região foi multada em R$ 502 mil por queimada ilegal. Em Araçatuba, uma lei municipal proíbe que se coloque fogo em terrenos e resto de lixo, porém a fiscalização é dificultada pela necessidade de flagrante para que a punição seja aplicada.

Resta o reforço para o bom senso coletivo e que se tome cuidado para não provocar queimadas, mesmo que sem intenção. Um simples cigarro jogado pela janela do carro provoca um problema coletivo enorme. O meio ambiente e a saúde devem ser cuidados por todos.

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