Araçatuba

Mulheres: faculdade e emprego

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

A edição deste domingo da Folha da Região traz, como um dos seus destaques, uma reportagem exclusiva sobre a participação feminina no mundo universitário. A reportagem do jornal, com base nos dados da Fundação Seade, apurou que as mulheres são maioria nos cursos mais procurados na região de Araçatuba.

É um retrato muito interessante para toda a sociedade, pois mostra que ela têm tido maior acesso e interessa nos estudos e que as políticas públicas devem olhar para este fenômeno com atenção para garantir que o diploma se transforme, efetivamente, em empoderamento e empregos para elas.

Acontece que as mulheres brasileiras têm 34% mais probabilidade de se formar no ensino superior do que seus pares do sexo masculino, mas também menos chances de conseguir emprego. Essa é uma das conclusões do relatório Education at Glance 2019, uma espécie de raio-X da educação promovido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, também chamada de "clube dos países ricos".

O relatório traça um panorama da educação nos 36 países membros da OCDE e em outros dez países, incluindo o Brasil - e a edição atual foca sobretudo em educação superior.

"Embora a disparidade de gênero na educação favoreça as mulheres, a situação no mercado de trabalho é ao revés", afirma o relatório, destacando que a prevalência feminina na educação superior brasileira é uma das maiores entre todos os países estudados.

Enquanto 18% dos homens brasileiros de 25 a 34 anos têm ensino superior, essa porcentagem sobe para 25% entre as mulheres da mesma faixa etária (mesmo assim, muito abaixo das médias da OCDE, de 38% para homens e 51% para mulheres, segundo dados de 2018).

O relatório se dedicou também à outra ponta - o mercado de trabalho. A conclusão é de que a empregabilidade de mulheres brasileiras de 25 a 34 anos com ensino superior é de 82% e cai para 63% entre mulheres com ensino técnico e para 45% entre mulheres sem essa capacitação.

Entre homens brasileiros, esses índices são todos mais altos: a taxa de empregabilidade dos que têm ensino superior é de 89%; de 76% dos que têm ensino técnico e 76% dos que não tem nenhuma formação superior.

O que explica, então, que as mulheres tenham mais dificuldades em se inserir no mercado de trabalho? Uma das explicações é de que no Brasil, 25% das graduandas brasileiras escolhe estudar educação, enquanto 19% dos graduandos homens escolhe engenharia, produção e construção. Fenômeno que se repete na região de Araçatuba.

Fora isso, ainda há a questão da remuneração a ser resolvida pela sociedade. Elas ainda ganham menos que os homens. Estar na faculdade é um grande passo, mas há uma caminhada pela frente.

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