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O nó do endividamento

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

O futuro presidente, a ser eleito – ou reeleito - em outubro, terá alguns grandes desafios. O Brasil precisa avançar em questões sociais e de infraestrutura. E um dos nós mais difíceis de serem desatados será o do endividamento da população, que parece ter chegado ao ápice, não por melhoria das condições econômicas, mas por incapacidade de as pessoas se endividarem ainda mais por causa do crédito cada vez mais caro. Situação que deve permanecer diante de uma taxa de juros que deve continuar a subir.

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apontou que 76,1% das famílias brasileiras estavam endividadas em janeiro, pouco abaixo dos 76,3% de dezembro de 2021, recorde da série histórica, iniciada em 2010. Foi o primeiro recuo desde novembro de 2020.

Se o endividamento recuou, por outro lado a taxa de inadimplência avançou para o maior nível desde agosto de 2020 e a maior para meses de janeiro de toda a série histórica. O percentual de famílias inadimplentes subiu de 26,2% em dezembro para 26,4% do total das famílias no país. O índice considera as famílias que relataram ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa).

A parcela das famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e, portanto, permanecerão inadimplentes também apresentou leve expansão, de 10% para 10,1% do total de famílias).

“As pessoas que estão buscando empréstimo estão indo atrás de mais prazo, para conseguir parcelas menores, com juros maiores.”

A evolução do endividamento mostrou tendências diferentes, de acordo com cada faixa de renda, diferentemente do que vinha ocorrendo desde abril de 2021. Em janeiro de 2022, no caso das famílias com renda de até 10 salários mínimos, o percentual das famílias endividadas caiu 0,3 ponto percentual, para 77,4%. É a primeira queda para este grupo desde outubro de 2020. Já para a parcela de famílias com rendimentos acima de 10 salários mínimos, o endividamento avançou para 71,2%, a maior parcela da série histórica, uma variação de 0,3%.

 Estima-se que este aumento do endividamento das famílias mais ricas ainda a uma demanda reprimida da pandemia, quando gastos com serviços, como restaurantes e viagens, foram adiados. É consenso entre os analistas do atual cenário é de que as famílias com renda menor não têm como se endividar mais, enquanto as de maior poder aquisitivo ainda recuperam padrões de consumo anteriores.

Um dos pontos que chama a atenção na pesquisa também é o alongamento dos prazos. Os números mostram que quem está buscando empréstimo vai atrás de mais prazo, para conseguir parcelas menores, ou então que há um processo de renegociação de prazos. E isso com juros maiores. Este é um desafio em tanto para o futuro administrador.

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