Araçatuba

O caso Robinho

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

O combate à violência contra a mulher ganhou ontem um capítulo exemplar. Como destaca a edição da Folha da Região , hoje, em sua página de Esportes, a Suprema Corte da Itália confirmou a condenação do jogador brasileiro Robinho, que teve passagens por Santos, Milan, Real Madrid e seleção brasileira, a nove anos de prisão por seu envolvimento em um episódio de violência sexual em grupo contra uma mulher albanesa em 2013.

 A decisão é definitiva e não cabem mais recursos. Em 2017, um tribunal de Milão concluiu que Robinho e outros cinco brasileiros eram culpados de abusar sexualmente de uma mulher em uma casa noturna. A condenação foi confirmada em segunda instância em 2020.

Robinho, cujo nome completo é Robson de Souza, vive no Brasil. Seu advogado italiano Franco Moretti confirmou na quarta-feira a condenação à Reuters, classificando a decisão como "profundamente injusta". Robinho, de 37 anos, jogou por alguns dos grandes clubes europeus, entre eles Real Madrid, Manchester City e Milan, e assinou um contrato em 2020 para voltar ao seu primeiro clube no Brasil, o Santos. O acordo, no entanto, desabou completamente após os patrocinadores ameaçarem o cancelamento de contratos com o clube pela contratação de um jogador condenado por estupro.

“A sociedade não tolera mais qualquer tipo de abuso contra as mulheres. Os criminosos têm que ser punidos.”

A Itália poderia iniciar um processo de extradição agora que Robinho recebeu uma condenação definitiva, mas a Constituição brasileira impede a extradição de cidadãos do país. A condenação de um atleta, como o Robinho, é uma vitória para a sociedade mundial e é lamentável por envolver uma pessoa que sempre foi idolatrada, principalmente por uma geração que cresceu se divertindo com o jogo plástico e o sorriso sempre marcante dele.

O caso joga luz sobre um problema que deve ser enfrentado pela sociedade brasileira, mesmo que este crime, em particular, tenha acontecido em solo europeu. Pelo menos 8,9% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência sexual na vida, segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), divulgada no ano passado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com o Ministério da Saúde. Uma das perguntas do questionário é se a pessoa entrevistada “foi tocada, manipulada, beijada ou teve partes do corpo expostas contra a vontade”. Essa questão foi respondida positivamente por 79,7% das vítimas de violência sexual, sendo 76,1% das mulheres e 89,3% dos homens.

A segunda pergunta sobre o tema avalia se a pessoa “foi ameaçada ou forçada a ter relações sexuais ou quaisquer atos sexuais, contra a vontade”. Neste caso, 50,3% das vítimas disseram ter vivido a situação, sendo 57,1% das mulheres e 32,2% dos homens. A sociedade não tolera mais qualquer tipo de abuso contra as mulheres. Os criminosos têm que ser punidos.

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