A reportagem da Folha da Região , sistematicamente, tem feito o registro do quanto o custo de vida tem ficado mais caro nos últimos meses. O jornal foi aos postos de combustíveis, aos supermercados e às empresas ouvir os leitores sobre o impacto da inflação na vida real das pessoas. Este matutino acredita neste tipo de jornalismo, que traduz o ‘economês’ para o cotidiano.
Ao longo destes esforços de reportagem, a Folha registrou que os araçatubenses trocaram o cardápio e até os produtos mais famosos por similares mais baratos, mesmo que com qualidade inferior, para manter o prato mais ou menos cheio. Também flagrou o desespero dos comerciantes, principalmente do ramo de restaurantes, para manter uma variedade mínima sem alterar demais o preço.
O Banco Central (BC) prevê que a inflação vai fechar este ano em 10,2%. Se confirmada a projeção do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), será a primeira vez que o índice oficial atinge o patamar de dois dígitos desde 2015 — quando o IPCA somou 10,67% no governo de Dilma Rousseff. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.
Para 2022, o BC prevê inflação de 4,7%. No último relatório Focus, os economistas consultados semanalmente pelo BC projetaram alta de 10,05% no IPCA de 2021 e de 5,02% em 2022, o que faria com que a autoridade monetária descumprisse a meta por dois anos seguidos. O Banco Central, no entanto, só admite que não cumprirá a meta este ano. Quando isso acontece, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.
“A reportagem da Folha da Região, sistematicamente, tem feito o registro do quanto o custo de vida tem ficado mais caro nos últimos meses.”
O centro da meta de inflação, em 2021, é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Com isso, a projeção do BC, de 10,2%, está bem acima do teto do sistema de metas.
No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. Com isso, a estimativa se aproxima mais do teto do sistema de metas. Na última terça, 14, o Banco Central pavimentou a volta dos juros básicos da economia em dois dígitos, ao afirmar, em ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que o mais "adequado" é aumentar a Selic em 1,5 ponto porcentual no próximo encontro do Copom, marcado para fevereiro de 2022. O Banco Central informou que, em seu cenário de referência, a probabilidade de a inflação de 2022 ficar acima do teto da meta, de 5,00%, está em 41% - era 17% no documento divulgado em setembro.
Traduzindo: a maré não continuará para peixe e quem puder segurar, reinventar o cotidiano e gastar com mais sabedoria, que faça. A Folha da Região continuará de olho nos efeitos para seus leitores e cobrando soluções.
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