Araçatuba

Brasil sem esgoto

Por Da Redação |
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Araçatuba e as principais cidades da região podem se considerar uma bolha de saneamento básico, pois a realidade do Brasil profundo é triste e preocupante. O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) apresentou, ontem, os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis) relativos a 2020. Atualizado anualmente, o diagnóstico reúne informações fornecidas pelos municípios sobre a prestação de serviços de água e esgotos; gestão de resíduos sólidos urbanos e drenagem e manejo da água das chuvas.

Com base nos indicadores fornecidos por 4.744 das 5.570 prefeituras existentes no país, técnicos do ministério estimam que quase metade da população abrangida pelo sistema não tem acesso a redes de esgoto. Isso significa que, de um total de 208,7 milhões de brasileiros, 94,1 milhões não dispõem do serviço.

Considerando as informações municipais, o percentual de pessoas que contam com rede de esgotos é um pouco maior na população urbana: 63% contra os 55% da população geral (urbana e rural). Em termos gerais, a Região Sudeste tem a melhor cobertura, com 80,5% da população atendida por rede de esgoto. Em seguida, vêm as regiões CentroOeste (59,5%); Sul (47,4%); Nordeste (30,3%) e Norte (13,1%).

O diagnóstico apresentado hoje aponta mais um desafio: apenas a metade do esgoto coletado (50,8%) é tratada. Uma coisa é coletar o esgoto, outra, tratá-lo. Quando não tratamos o esgoto adequadamente, acabamos gerando mais poluição, degradação ambiental, e deixamos de cumprir nosso objetivo.

O número de prefeituras, Brasil à fora, que forneceram informações sobre o abastecimento de água à população – 5.350 – é superior ao das que se manifestaram sobre a rede de esgoto, atingindo 96% de todos os 5.570 municípios brasileiros.

Desta forma, nesse campo, o levantamento captou a situação de 98,6% das 208,7 milhões de pessoas abrangidas pelo Snis. Destas, 93,4% das que viviam em centros urbanos eram atendidas por redes públicas de abastecimento de água em 2020.

Em 5.337 municípios, o que representa 99,8% das prefeituras que forneceram informações, o serviço era fornecido pelo sistema público. Em 13 cidades, eram adotadas soluções alternativas, como poços, cisternas e caminhões-pipa. Segundo a íntegra da publicação disponibilizada na internet, o volume de água que se perde ao longo do sistema de abastecimento cresce continuamente desde 2015, quando ficou abaixo de 37%.

Este é um retrato de um Brasil ainda atrasado no que mais é simples em qualquer urbe, desde que o ser humano deixou de ser nômade, há 10 mil anos.

Enquanto a sociedade mundial se prepara para um novo mundo tecnológico, com quase tudo indo para o virtual, o Brasil ainda patina em questões de séculos passados. Este é o País que precisa se olhar no espelho e admitir que precisa mudar.

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