A reportagem da Folha da Região acompanhou o antes, o durante o depois da Black Friday. O comércio buscou os melhores preços possíveis no momento e os consumidores, animados com a primeira parcela do 13º salário fizeram suas compras, porém com muito critério. E apesar de Acia (Associação Comercial e Industrial de Araçatuba) ter calculado um incremento de 10% nas vendas, ficou para todos um gosto de frustração.
Estima-se, pelos números nacionais, que esta tenha sido a pior Black Friday da história, desde que o evento chegou ao país em 2010. Com exceção de algumas empresas que controlam a venda de produtos online no País, os comerciantes obtiveram um resultado aquém do necessário para superar todos os estragos ainda provocados pela pandemia, que provocou o fechamento das portas por semanas e meses seguidos.
E isso tudo coloca uma grande pressão sobre o Natal, que é o melhor período para o comércio. Mas, que chega em um momento delicado para a economia. Alguns dados divulgados ontem dão a dimensão deste desafio. O percentual de famílias brasileiras com dívidas em atraso ou não chegou a 74,6% em outubro deste ano, maior patamar da série da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), iniciada em janeiro de 2010.
Antes de julho deste ano, a parcela nunca havia superado a marca dos 70%. Os dados foram divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em setembro deste ano, o índice havia ficado em 74%. Já em outubro do ano passado, os inadimplentes eram 66,5% das famílias.
“O fim de ano está sendo um grande desafio para os comerciantes e para os consumidores. O dinheiro está cada vez mais raro.”
O percentual de famílias que não terão condições de pagar suas dívidas ou contas caiu para 10,1% em outubro deste ano, abaixo dos 10,3% do mês anterior e dos 11,9% de outubro do ano passado. A parcela média da renda comprometida com dívidas manteve-se estável em 30,2%. A maior parte das dívidas (84,9%) é com cartão de crédito. Entre os inadimplentes, o tempo médio de atraso na quitação das dívidas é o menor desde março deste ano: 61,4 dias.
O poder de compra das famílias tem se esvaziado nos últimos meses. Como a Folha da Região tem registrado nos últimos meses, esta erosão tem ocorrido a cada aumento dos combustíveis, a cada reajuste nas gôndolas dos supermercados e a cada arrocho salarial, sem ao menos a reposição da inflação, que neste ano irá fechar acima dos 10%.
A retomada da economia, em Araçatuba, região e em todo o País, se faz necessária. Cabe à classe política apresentar um plano viável e célere para o combate ao empobrecimento generalizado. À sociedade, espera-se que reaja e cobre soluções. As vendas de final de ano estão correndo risco. O fim de ano está sendo um grande desafio para os comerciantes e para os consumidores. O dinheiro está cada vez mais raro.
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