Pratos cada vez mais vazios de variedade e quantidade. A crise político-econômica, somada à questão hídrica, está levando as pessoas a substituírem alimentos e até cortarem itens antes essenciais.
A reportagem da Folha da Região foi ouvir leitores e comerciantes de Araçatuba sobre como a vida delas têm mudado com esta nova realidade. Assim como o jornal vem relatando há algumas semanas, os preços nas gôndolas dos mercados sobem todos os dias. O combustível também está cada vez mais caro, levando a uma cadeia de outros reajustes.
Na edição de ontem, o jornal mostrou que os hábitos dos araçatubenses também têm sido alterados por causa do preço da energia elétrica. E justamente ai está um dos problemas mais graves.
A sequência de impactos negativos da seca prolongada é mais do que uma ameaça para a economia brasileira em 2021. Os efeitos da crise hídrica ganharam força nos últimos meses e, segundo analistas, também representam um desafio para a atividade econômica em 2022.
A falta de chuva prejudica a produção na agropecuária, eleva custos na indústria, pressiona a inflação e, assim, atinge o consumo das famílias. Se não bastasse isso, uma parte dos analistas demonstra preocupação com os riscos de racionamento obrigatório de energia elétrica e eventuais apagões devido à seca.
Chega a ser irônico o fato de a elite brasileira continue alienada, distribuindo bravatas que em nada contribuem
O alerta com os impactos da falta de chuva ficou mais forte após a divulgação, na quarta-feira (1º), do PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre deste ano. O recuo de 0,1% no indicador já refletiu, em parte, os prejuízos do clima adverso.
Nos últimos meses, a seca prejudicou lavouras e obrigou o acionamento de usinas térmicas no país, que têm custos maiores para geração de energia. Com isso, além dos alimentos, a conta de luz também ficou mais cara, pressionando a inflação.
Em 12 meses, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) se aproximou de dois dígitos. A variação no acumulado até julho foi de 8,99%. Os preços em patamar alto, em um ambiente de desemprego acentuado e renda fragilizada, abalam o consumo das famílias, que ficou estagnado no segundo trimestre de 2021. Ou seja, a variação foi nula (0%) frente aos três meses iniciais de 2021.
Com a inflação alta, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) passou a aumentar a taxa básica de juros, a Selic. Os juros mais altos, além de afetarem o consumo, dificultam investimentos produtivos nas empresas. Com tudo isso, o cidadão comum, que não tem compensação salarial para enfrentar a nova realidade, fica sem saída. O negócio é ir cortando na pele o quanto der.
Com tudo isso, chega a ser irônico o fato de a elite brasileira continue alienada, distribuindo bravatas que em nada contribuem para a solução dos problemas do Brasil real.
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