Araçatuba

Pela educação a todos

Por Redação |
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Há uma frase famosa comumente atribuída ao maestro Tom Jobim que afirma que o Brasil não é para principiantes. No jornalismo, esta afirmação cabe no fato que de este é um país que além de completo, também é ainda uma fábrica diária de fatos - quase sempre aterradores. É anedota nas redações de que fazer jornalismo diário nos trópicos é fácil, complicado mesmo seria fazer nos países nórdicos, aonde tudo funciona muito bem.

Pois bem, coube agora ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, colaborar com a sucessão de fatos que são trágicos e nada cômicos. Ele afirmou, na noite desta segunda-feira (9), que a universidade no Brasil deveria ser para poucos. A declaração foi dada no programa Sem Censura, da TV Brasil, no qual o ministro também disse ter tomado um susto ao saber de algumas das atribuições do MEC (Ministério da Educação) quando assumiu o cargo no governo Jair Bolsonaro (sem partido) no ano passado.

Para não acusar o ministro de elitista, pois se sabe que quanto maior o nível de formação de uma pessoa, maior é seu salário médio e menos à mercê ela fica da exploração, cabe-se ressaltar que Ribeiro defende a ampliação dos curso técnicos, que serão, segundo eles, as “vedetes do futuro”.

A declaração é semelhante à que deu em 2019, ao jornal Valor Econômico, o primeiro titular do MEC do governo Bolsonaro. Na ocasião, Ricardo Vélez disse que as universidades deveriam “ficar reservadas para uma elite intelectual”.

“A questão é que a educação, superior, técnica e, principalmente a básica, são direitos de todos e nunca deverão ser coisa de elite”

Na entrevista desta segundafeira, Ribeiro disse também não ver problema em jovens “filhinhos de papai” ocuparem vagas das universidades públicas. Após citar a Lei de Cotas, o ministro lembrou que 50% das vagas das federais são reservadas a alunos de escolas públicas e as demais, segundo ele, vão para alunos com melhores condições.

Na visão do ministro, há de se considerar “que os pais desses meninos tidos como filhinhos de papai são aqueles que pagam os impostos no Brasil que sustentam bem ou mal a universidade pública", afirmou.

Os institutos federais elogiados pelo ministro foram criados em 2008, no governo Lula, a partir de escolas federais de ensino técnico já existentes. Eles oferecem cursos tecnológicos profissionalizantes de nível médio e superior.

Alinhado com a agenda ideológica de Bolsonaro, Ribeiro disse também que um reitor das universidades federais “não precisa ser bolsonarista, mas não pode ser esquerdista, não pode ser lulista”.

O Ministério da Educação terminou 2020 com o menor gasto em educação básica na década. Como demonstrou reportagem publicada pela Folha da Região, no domingo, Araçatuba foi exceção, investindo mais na educação, mesmo na pandemia. A questão é que a educação, superior, técnica e, principalmente a básica, são direitos de todos e nunca deverão ser coisa de elite, perpetuando a desigualdade.

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