Araçatuba

Puxando a corda da democracia

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil passou um dia tenso, ontem, depois da revelação de que de uma possível ameaça que um interlocutor do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, teria levado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressitas-AL), condicionando a realização das eleições de 2022 à adoção do voto impresso.

A denúncia, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo criou uma tensão em relação ao retrocesso da democracia no país. Apesar de parte de a sociedade ter feito manifestações públicas em favor da volta do Regime Militar, a extinção dos direitos de voto e de manifestação não é algo que a nação queira. O Brasil, ao contrário, tem é que fortalecer suas instituições e garantir que a liberdade seja a nossa pedra fundamental.

 Ao longo do dia de ontem, diante à repercussão do fato, o líder da Câmara teria se manifestado para dizer que o pleito ocorrerá no ano que vem e que as eleições serão realizadas normalmente, por meio do “voto popular, secreto e soberano”.

 Já o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, afirmou que “não se comunica com os Presidentes dos Poderes, por meio de interlocutores”. Disse, ainda, que se trata de uma “desinformação que gera instabilidade entre os Poderes da República, em um momento que exige a união nacional”. O Estadão, autor da reportagem, manteve as informações publicadas.

“Um grupo de araçatubenses fará uma manifestação pelo voto impresso. E isso é democracia pura. O que não se pode aceitar é golpismo.”

Como mostrou a denúncia, no último dia 8, uma quinta-feira, Lira teria recebido um duro recado de Braga Netto, por meio de um interlocutor político. O general teria pedido para comunicar, a quem interessasse, que não haveria eleições em 2022, se não houvesse voto impresso. Ao dar o aviso, o ministro estava acompanhado de chefes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Ao receber a ameaça, Lira teria considerado o recado grave e teria procurado o presidente Jair Bolsonaro. Eles teriam tido uma longa conversa com ele, no Palácio da Alvorada. O presidente da Câmara teria dito ao chefe do Executivo que não contasse com ele para qualquer ato de ruptura institucional.

 No início da manhã, Braga Netto chegou a classificar as informações como “invenção” ao ser questionado por jornalistas sobre o assunto. Depois, por meio de nota oficial, amenizou o tom. Ele declarou que “o Ministério da Defesa reitera que as Forças Armadas atuam e sempre atuarão dentro dos limites previstos na Constituição”.

Ao comentar especificamente sobre o voto impresso, tema que foi levado por seu interlocutor a Arthur Lira, o ministro da Defesa defendeu a proposta, que é pauta central nos planos do presidente Jair Bolsonaro.

Como a Folha da Região divulgou em sua edição de ontem, um grupo de araçatubenses fará uma manifestação pelo voto impresso. E isso é democracia pura. A liberdade de se manifestar. O que não se pode aceitar, é ditadura e golpismo.

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