Em dois anos e sete meses de governo, Jair Bolsonaro coleciona uma série de declarações indignas do cargo que ocupa: a presidência da República. Na última semana, ele disse "cagar" para a CPI que investiga sua gestão no enfrentamento da pandemia de Covid-19. Ao passo que aprimora sua ignorância diante do exercício salutar para a democracia, que é o questionamento, o chefe da nação, começa a ver sua situação se afunilar em todos os aspectos.
A manifestação chula de Bolsonaro ocorre no momento em que pairam dúvidas sobre informações prestadas por gente de seu governo à Comissão Parlamentar de Inquérito. Há suspeitas de mentira. Isso, somado ao destrato do presidente a quem o interroga, caracteriza falta de transparência, uma violação ao princípio constitucional da publicidade e ao estado democrático de direito. Tal postura, portanto, já seria suficiente para uma condenação.
A busca constante por falas estapafúrdias tem sido a saída encontrada por ele, ainda, à medida que seu governo pratica a autodestruição e começa a sentir as consequências, seja em números, seja nas crescentes manifestações de rua por todo o Brasil. Pesquisas de institutos confiáveis mostram que, hoje, Bolsonaro não seria reeleito, este o seu maior propósito desde quando subiu a rampa do Palácio do Planalto. Perderia em primeiro turno, deixando como grande obra de seu governo a volta do controverso lulopetismo ao poder.
Sendo assim, Bolsonaro já deveria observar que o populismo barato que o levou à presidência, hoje, não tem o mesmo efeito de três anos atrás.
Pior que tudo isso é a queda na avaliação em todos os aspectos. Pesquisa divulgada pelo Datafolha na última semana mostra que parte expressiva da população o considera despreparado e pouco inteligente para o exercício do cargo que ocupa. Certamente, ao se posicionar com tamanha aberração diante um questionamento, Bolsonaro só confirma o que as pesquisas estão mostrando. A molecagem expressa em suas declarações só satisfaz, dessa forma, o gosto dos seus seguidores.
Para um governo que, vergonhosamente, já chegou a ser acusado de propagar fale news, debochar de assuntos que deveriam ser tratados com seriedade é normal. Mas, para a grande parte da sociedade, que quer explicações sobre o mau uso de dinheiro público em um momento tão delicado, como o atual, isso é inaceitável.
Sendo assim, Bolsonaro já deveria observar que o populismo barato que o levou à presidência, hoje, não tem o mesmo efeito de três anos atrás. A mudança de postura é necessária para a sua sobrevivência política e para os inúmeros esclarecimentos que a população brasileira tanto espera. Só há, dessa forma, uma alternativa: o governo se limpa moralmente, caso contrário, no final, a população "cagará" para ele.
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