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Os 95 anos de Marilyn Monroe

Por Redação |
| Tempo de leitura: 8 min

Atriz americana foi a personificação do "sonho americano" do entretenimento; diva de Hollywood e de produções dos anos 1950, Marilyn foi subestimada por produtores e cineastas, mas conseguiu deixar sua marca no universo cinematográfico

Bryan Belati

 Alguns ícones do cinema são conhecidos apenas pelo nome. Quando alguém cita o nome dessa pessoa, todos já sabem quem é. Mas existem também aqueles que, só de você olhar, também já sabe de quem se trata. A atriz Marilyn Monroe é uma dessas personalidades do cinema mundial, que marcou o universo do entretenimento em diversos aspectos.

Hoje (1), a atriz completaria 95 anos de idade, caso estivesse viva. Monroe faleceu no dia 4 de agosto de 1962, aos 36 anos, na cidade de Brentwood, Califórnia, nos Estados Unidos. Dona de uma carreira imbatível, com vários papéis considerados clássicos para a época, Marilyn Monroe sempre buscou ser desafiada em sua carreira, e nunca gostou da ideia de atuar de acordo com o estereótipo do ideal de beleza imposto, que eventualmente objetificava sua performance no cinema.

 Em homenagem à contribuição feita pela artista para o cinema norte-americano e internacional, a Folha da Região conta sua história de vida e homenageia a trajetória da atriz, que é lembrada por todos como símbolo da feminilidade nos anos 1950.

VIDA

Norma Jeane Mortenson nasceu no dia 1 de junho de 1926, na famosa cidade de Los Angeles, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Sua mãe, Gladys Pearl Monroe, já havia tido outros dois filhos quando ficou grávida de Marilyn.

 Após se separar de John Newton Baker, Gladys se casou novamente, dessa vez com Edward Martin Mortenson. No entanto, o relacionamento chegou ao fim após poucos meses de união estável, e Marilyn nasceu após esse período. Dessa forma, a paternidade da atriz não foi comprovada.

Naquela época, Gladys não tinha condições de cuidar da família, pois estava enfrentando problemas financeiros e também psicológicos, devido às separações e o trabalho árduo que desenvolvia em Hollywood, em estúdios de gravação.

Por isso, Marilyn foi levada por dois pais adotivos para a cidade de Hawthorne, também na Califórnia. A família era cristã evangélica, e criava os filhos de acordo com a religião. O combinado entre eles e Gladys era de que a mãe poderia visitar a filha sempre que pudesse, pois eles cuidariam dela apenas nos primeiros meses de vida.

Porém, o trabalho de Gladys se intensificou e ela não conseguiu continuar na cidade para cuidar da filha. Por isso, retornou à Hollywood no início de 1927. As visitas à Marilyn aconteciam aos finais de semana, e a ideia da mãe era levar a filha com ela de volta a Los Angeles assim que sua condição melhorasse.

CLÁSSICO "Diamonds Are A Girls Best Friend", canção interpretada por Marilyn Monroe no filme "Os Homens Preferem As Loiras", é um clássico do cinema e da cultura pop. Foto: Divulgação

Marilyn finalmente foi morar com a mãe, aos 7 anos, quando Gladys conseguiu comprar uma pequena casa na cidade, que dividia com dois atores, que eram seus inquilinos. Todavia, alguns meses após se mudarem para essa nova casa, a mãe de Monroe teve um colapso mental e foi hospitalizada. Seu diagnóstico resultou em esquizofrenia paranoide e, por isso, ela não podia mais cuidar da garota.

Marilyn foi declarada sob a guarda do Estado e uma das amigas de sua mãe, Grace McKee Goddard, assumiu a responsabilidade sobre ela e por assuntos relacionados à sua mãe. Ela viveu com a mulher e o marido durante dois anos, mas foi abusada sexualmente por um deles quando tinha 8 anos.

De acordo com o livro "O livro da Cultura Popular dos Estados Unidos", poucos são os rivais de Marilyn Monroe em popularidade, incluindo Elvis Presley e Mickey Mouse. "Nenhuma outra estrela já inspirou uma vasta gama de emoções - da luxúria à piedade, da inveja ao remorso."

Anos mais tarde, migrou para a casa de outras duas famílias, onde também foi molestada. Por isso, passou a viver na casa de amigos e parentes de Grace e do marido, e somente em 1938, aos 12 anos, conseguiu um lar fixo, com a tia de Grace, Ana Atchinson Lower, no oeste de Los Angeles.

No início de 1942, aos 16 anos, a família teve que se mudar para a Virgínia e não poderiam levar a garota. Por isso, ela foi obrigada a se casar com o filho de um dos vizinhos, James Dougherty, que na época tinha 21 anos e trabalhava na Lockheed Corporation. Por conta disso, Marilyn teve que abandonar a escola.

Com a ida de seu marido para a Marinha Americana, ela passou a viver com os sogros, e começou a trabalhar em uma fábrica que auxiliava na Segunda Guerra Mundial.

REVIRAVOLTA

Trabalhando na fábrica, Marilyn conheceu um fotógrafo que foi contratado para capturar imagens de mulheres que trabalhavam em prol da guerra. O profissional se encantou pela moça, e a convidou para protagonizar outros ensaios. Assim, Monroe deixou a fábrica e passou a trabalhar como modelo.

Após pintar o cabelo de loiro platinado, modelo que chamava a atenção dos publicitários da época, estrelou cerca de 33 capas de revistas, além de embalagens de produtos e demais propagandas.

Com essa visibilidade, o dono da agência a qual fazia parte encaminhou a jovem para um teste de cinema, onde conheceu Ben Lyon, um executivo da 20th Century Fox, uma grande produtora de cinema.

Os executivos não ficaram muito animados com o teste de Monroe, mas mesmo assim concederam a ela um contrato de seis meses, por medo que ela fosse trabalhar no estúdio rival, o RKO Pictures, cujo executivo havia se interessado por Marilyn após ver um dos ensaios que ela fez para uma revista.

Somente após 1946, aos 20 anos de idade, passou a adotar o nome pelo qual ficaria conhecida em todo o mundo: Marilyn Monroe. No mesmo ano, a atriz se divorciou do marido, que havia retornado de uma missão no Oceano Pacífico, para focar inteiramente em sua carreira.

Monroe teve duas pequenas participações em dois filmes, que não foram divulgados, e logo perdeu o contrato com a empresa. No entanto, continuou modelando e estudando teatro e canto. Logo, conseguiu outro contrato, desta vez com a Columbia Pictures. Seu primeiro filme como protagonista, "Mentira Salvadora" (1948), deu a ela o papel de uma cantora de coro que era cortejada por um homem rico.

Seus anos de ouro foram entre 1950 e 1952, em que estrelou cinco produções, as quais esteve presente com pequenos papéis e aparições. No entanto, foram esses filmes que alavancaram a opinião pública sobre a performance de Marilyn como atriz, pois os longas foram aclamados pela crítica especializada.

Conseguiu um novo contrato com a 20th Century Fox e passou a estrear diversas produções. Em 1951, apresentou uma das categorias na 23ª edição do Oscar. Os filmes estrelados por ela despontaram como as maiores bilheterias daquele ano, transformando Monroe em uma "it girl" do cinema naquela época.

Em 1953,Marilyn estreou três filmes lançados que a transformaram em um símbolo sexual da época, sendo ela uma das artistas mais rentáveis de Hollywood. Um dos filmes mais conhecidos, estrelados por ela, foi "Os Homens Preferem as Loiras", produção que estabeleceu o ideal de "loira burra", conhecido e reforçado em todo o mundo na época.

A produção teve uma arrecadação de mais de 5 milhões de dólares naquele ano, e foi uma das maiores bilheterias do cinema do período. Em 1953 e 1954, Marilyn foi apontada como a estrela feminina que mais dinheiro fazia na indústria do cinema e, de acordo com o historiador Aubrey Solomon, ela tornou-se o "maior patrimônio" do estúdio 20th Century-Fox, ao lado do próprio CinemaScope.

 A posição da atriz como um símbolo de liderança feminina foi confirmado quando o empresário Hugh Hefner a colocou como destaque da primeira edição da revista Playboy.

Monroe estrelou 22 filmes e 4 séries televisivas, além de ter sido indicada a 15 prêmios, vencendo 12 deles, sendo o Globo de Ouro o mais importante que recebeu, em 1960, na categoria Melhor Atriz de Musical no filme "Quanto mais quente melhor".

De acordo com o livro "O livro da Cultura Popular dos Estados Unidos", "como um ícone da cultura popular americana, poucos os rivais de Marilyn Monroe em popularidade, incluindo Elvis Presley e Mickey Mouse nenhuma outra estrela já inspirou uma vasta gama de emoções - da luxúria à piedade, da inveja ao remorso".

CENA "O Pecado Mora Ao Lado", protagonizado por Marilyn Monroe e Tom Ewell, foi o estopim para que a atriz despontasse em produções hollywoodianas. Foto: Divulgação

ADEUS

Marilyn foi encontrada morta no quarto de sua casa em Los Angeles pelo seu psiquiatra Ralph Greenson nas primeiras horas da manhã de 5 de agosto de 1962. Greenson havia sido chamado pela empregada Eunice Murray, que estava dormindo no emprego e acordou às 03h00 "sentindo que algo estava errado".

A morte foi confirmada oficialmente pelo médico Hyman Engelberg, que chegou na casa por volta das 03h50, notificando somente às 04h25 o Departamento de Polícia de Los Angeles. Horas depois, foi divulgado que a causa da sua morte foi intoxicação por abuso de remédios. A morte inesperada de Marilyn foi notícia de primeira página nos Estados Unidos e na Europa.

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