Araçatuba

A Câmara e os carros do Dilador

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Ao decidir pela abertura da Comissão Processante (CP) na Câmara de Araçatuba para investigar a compra de 16 veículos destinados à Secretaria Municipal de Saúde, os vereadores cumprem uma obrigação que está entre suas mais elementares prerrogativas: investigar com independência a administração municipal, zelar pelo bom uso de recursos públicos e contribuir para a transparência, o que inclui a atuação e a postura do próprio Legislativo.

Cada veículo custou R$ 49.850, todos adquiridos por pregão eletrônico, em novembro do ano passado, para substituir uma frota sucateada. Cabe à Câmara um levantamento sobre como se deu a compra e o que efetivamente está sendo feito com os carros, alvos desta comissão. Dentre os muitos fatos que devem ser analisados, o mínimo a se esperar é que haja uma investigação minuciosa, principalmente sem perder o foco das necessidades de atendimentos que são de responsabilidade do município.

Neste aspecto, não é preciso pensar muito para saber que o transporte se torna essencial no atendimento à população pelos agentes de saúde. Ver o problema e não agir para resolvê-lo é uma negligência mortal, ainda mais em meio à pandemia. Há que se observar que pessoas sem condições de locomoção ou que moram em locais distantes têm recebido visitas de agentes de saúde. Há que se raciocinar se isso evita inclusive a aglomeração em unidades de atendimento.

Sem se perder no palavrório reducionista, que a Câmara tenha lucidez para apontar se valeu a pena esse investimento. É preciso ter base muito sólida para apontar, por exemplo, que o dinheiro da compra de veículos deveria ter sido usado em outras ações, como a abertura de mais leitos de UTI. Usar o argumento simplista de que "carros não ajudam a salvar vidas" é pensar pequeno demais e soa até como desrespeito àqueles que precisaram e precisam de atendimento emergencial.

É relevante observar a atuação da CP, que não pode se transformar em holofote político e instrumento de barganha, chantagem ou qualquer outra artimanha. Dos parlamentares, é de se esperar que tenham a consciência da importância do papel que exercem sob a confiança do voto popular. Deles, neste e em qualquer outro episódio, a população espera o acompanhamento contínuo das ações do Executivo, não permitindo que atos duvidosos sejam concretizados. Se o prefeito fez coisa errada, que se prove e que ele pague pelos seus erros na forma da lei. Seria inaceitável, no entanto, que partidarismos ou questões políticas viessem a prejudicar o andamento de ações essenciais à preservação da vida e ao combate à pandemia que tantas vítimas tem feito nos dias atuais. A investigação deve seguir seu próprio caminho, paralelamente ao combate ao maior inimigo, o vírus que multiplica diariamente o número de infectados e mortos, em Araçatuba e no mundo todo.

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