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A Educação pós-pandemia

Por Redação |
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Em janeiro, Birigui ganhará uma nova faculdade (Unitoledo); uma escola especializada em cursos para OAB, pós-graduação em Direito e preparatórios para concursos públicos (Damásio Educacional); uma outra escola de especialização para médicos e cursos preparatórios para a residência, voltados aos estudantes de Medicina (SJTMed); outra instituição especializada em MBA de Administração e Agronegócios (Ibmec), e ainda, uma escola para quem deseja seguir na carreira da Diplomacia.

Todas vão funcionar em um mesmo espaço: uma sala comercial do Edifício Aurora na rua Nilo Peçanha, no centro da cidade. O empreendimento é um exemplo do novo modelo de Educação para o século 21, especialmente neste momento de pandemia para um público definido, os adultos.

“Nossas salas de aula são as casas dos alunos. Nossos professores estão espalhados em estúdios de televisão pelo país. E nós somos o polo de apoio, o elo que faz a mediação dessas relações”, resume Mauricio de Carvalho Salviano, 48, advogado e professor universitário, há 10 anos como gestor da unidade em Araçatuba, que agora também assume Birigui.

Salviano explica que a educação a distância já vinha crescendo antes da Covid-19. Mas com a necessidade do distanciamento social, ela se popularizou principalmente entre o público que termina o ensino médio. Estudantes de graduação, pós-graduação e cursos livres, como os voltados para aprovação em concursos públicos, se adaptaram rapidamente ao formato. “Eles ficaram satisfeitos ao descobrir que podem estudar com aulas ao vivo ou gravadas, o que dá mais liberdade de horário; têm material didático disponível antes e após as aulas, e as atividades e provas são feitas até por metodologias de gameficação. Enfim, há uma ‘expertise’ de mais de 60 anos nas instituições especializadas no modelo EaD que facilita demais a vida dos alunos”, afirma.

A educação a distância existe no Brasil desde os anos 1950. Começou com o rádio transmitindo aulas e se desenvolveu ao longo das últimas décadas juntamente com a tecnologia. Hoje há centenas de plataformas especializadas que atendem, apenas no ensino superior, aproximadamente 1,5 milhão de estudantes.

De 2009 a 2019 houve um crescimento no setor de 379%, de acordo com dados apontados pelo Censo da Educação Superior 2019 elaborado pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do MEC (Ministério da Educação). O mesmo estudo apontou que, em 2020, já há mais acadêmicos na modalidade EaD do que em cursos presenciais.

Segundo Salviano, neste momento de crise sanitária, o modelo de educação a distância que vem se desenvolvendo há décadas foi capaz de atender melhor os estudantes do que o modelo remoto que as escolas presenciais precisaram criar rapidamente para se adaptar à nova realidade.

No ensino remoto, professores ficaram dando aulas de casa ou sozinhos nas salas de aula sem equipamentos adequados enquanto os alunos permaneceram em casa, na maioria das vezes sem qualquer tipo de integração. E no modelo híbrido, autorizado recentemente pelas autoridades, a escola recebeu apenas uma parcela da turma em sala de aula e os demais alunos continuaram com aulas remotas.

ESCOLAS PARTICULARES

O diretor regional do SIEESP (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo) em Araçatuba, Waldman Biolcati, 74, confirma que nenhuma das escolas particulares que operava no modelo presencial estava preparada para o ensino remoto no início da pandemia, todas tiveram de se adaptar para que seus alunos “não perdessem o ano”.

Waldman é mantenedor, há 37 anos, de uma escola particular de ensino médio tradicional na cidade. Ele conta que, rapidamente, precisou investir em tecnologia para conseguir operar remotamente. Hoje está preparado para o ensino remoto, para o híbrido, mas o que deseja mesmo é o retorno às aulas presenciais em 2021 tão logo as autoridades permitam.

Para ele, é inegável que a partir de 2021, a Educação sofrerá profundas modificações. Waldman acredita, por exemplo, que o modelo híbrido – onde os alunos assistem algumas aulas presencialmente e outras remotamente – veio para ficar. “Mesmo com o retorno das aulas no modelo presencial, nenhuma escola vai poder ignorar as aulas remotas, seja para plantões, aulas específicas ou para algum atendimento individualizado”, declara.

ESCOLAS PÚBLICAS

Para Simone Mello de Queiroz Botini, 46, “o ensino, os professores e os alunos jamais serão os mesmos depois da pandemia”. Ela é professora efetiva de matemática da rede estadual na escola “Vitor Antônio Trindade”, no bairro Santana, em Araçatuba, onde leciona para turmas do ensino fundamental e médio. Também ensina nos cursos da área de exatas nas graduações do Centro Universitário Unisalesiano de Araçatuba.

Para ela, 2020 foi um ano diferente, que tirou, mas ao mesmo tempo deu, muitas oportunidades para os docentes, os alunos e as famílias. “Ele nos tirou o convívio com os estudantes, as vivências e as relações humanas, tão importantes na escola. Mas nos deu oportunidades de aprender a aprender, de reinventar o ensino em termos de mais paciência e empatia”, opina.

Simone conta que o maior desafio da escola pública foi levar o conhecimento a alunos que não tinham acesso à tecnologia, por falta de ferramentas (celulares e computadores) ou conexão. Mas que, ainda nesta hora, foi possível tirar uma lição importante: “é preciso conscientizar a família que precisamos do apoio e da ajuda de todos. Para o bem do aluno, escola e família precisam caminhar sempre juntas”, ensina.

A professora considera que a pandemia da Covid-19 provocou uma transformação geral. “A tecnologia abriu os muros da escola e mostrou que devemos rever práticas de ensino. Caberá a nós, professores, mostrar aos nossos alunos que toda esta tecnologia é muito importante”, diz. Mas ela faz um alerta: todo conhecimento tecnológico deverá ser acompanhado de observação nas relações sociais que somente a escola proporciona para crianças e adolescentes.

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