Araçatuba

Editorial: Devagar com a vacina

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Há um ditado popular que diz que é preciso "ir devagar com o andor porque o santo é de barro". É um conselho que os mais velhos sempre dizem aos jovens afoitos, que pela inexperiência "trocam os pés pelas mãos" e acabando "colocando o carro na frente dos bois". Traduzindo: cometem o erro de se antecipar, provocando um problema maior que o atual.

E estes velhos ditados populares não podem sair da cabeça da sociedade, neste momento, por causa do anuncio, nesta quarta-feira (18) de que a Pfizer e a BioNTech concluíram a fase 3 dos testes clínicos com sua vacina contra covid-19 e que ela apresentou uma eficácia de 95%.

De acordo com a reportagem publica na edição de hoje da Folha da Região, o produto, que na análise intermediária indicou uma eficácia de 90%, se mostrou ainda melhor com a observação de mais casos de participantes que foram contaminados.

A primeira análise objetiva primária, segundo informações publicadas pela empresa, é baseada em 170 casos de contaminação por covid-19 entre os participantes: 162 do grupo que tomou placebo e apenas 8 no grupo que tomou a vacina. É dessa proporção que se verifica a eficácia, que, de acordo com as companhias, foi consistente em dados demográficos de idade, sexo, raça e etnia.

As empresas destacaram que a eficácia observada em adultos com mais de 65 anos de idade foi superior a 94%. É acima desta faixa etária em que se encontram os mais vulneráveis a formas mais severas de covid-19 e na qual havia mais preocupação com a eficácia de uma vacina. Idosos costumam não apresentar respostas muito fortes a alguns tipos de vacina, como as de influenza comum, o que torna o resultado ainda mais animador.

No grupo de contaminados, houve 10 casos severos, sendo 9 entre os voluntários que receberam placebo. Com o bom resultado, a empresa pretende pedir à agência de regulação de drogas norte-americana (FDA) autorização para uso emergencial da vacina. A Pfizer promete também compartilhar os dados com outras agências reguladoras em todo o mundo.

Sim, esta é uma excelente notícia, mas não motivo para que todos possam abrir mão da prevenção. A aproximação da descoberta de uma vacina não abole a sociedade a relaxar nos cuidados para evitar a doença, que continua presente e fazendo vítimas fatais todos os dias.

Araçatuba continua registrando casos novos, o Estado mantém o decreto de restrições e as vidas precisam estar acima de tudo. Que a vacina seja comemorada, pois "a corda sempre arrebenta pro lado mais fraco" e a vacina, primeiro, vão para os países mais ricos.

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