As aulas e a vida
O raciocínio sobre a desejada flexibilização do comércio, que deve ocorrer somente em condições de absoluta segurança, com base científica, respeitando as atualizações estatísticas e as orientações de profissionais de saúde, vale igualmente para a retomada das aulas presenciais. Sabe-se que é enorme o prejuízo para o aprendizado em razão da interrupção forçada em meio à pandemia do coronavírus. Sem recorrer aos eufemismos, na verdade 2020 é um ano perdido para a maioria dos segmentos, e no setor do ensino não seria diferente. Talvez o agronegócio tenha lá na frente um saldo menos devastador, mas de um modo geral o cenário já se apresenta calamitoso.
Diante dessa realidade, o governo do Estado anunciou para o dia 8 de setembro o retorno das atividades em sala de aula, mas de imediato já condicionou a manutenção da data à classificação das cidades na chamada fase amarela por 28 dias seguidos. A região de Araçatuba, por exemplo, está na fase vermelha, a mais restritiva de todas, com permissão de funcionamento apenas para estabelecimentos que comercializam itens de primeiríssima necessidade. Até lá, pode tanto evoluir para a fase laranja quanto até ser conduzida diretamente à fase amarela. Tudo vai depender da evolução dos casos de contaminação e de óbitos. Ou seja: pode também regredir e entrar em lockdown, fechando tudo.
Relativamente à educação, em todos os níveis de ensino, é óbvio que também será necessário adotar critérios capazes de garantir total segurança de alunos, professores e funcionários das instituições. Espera-se que as salas de aula tenham a ocupação de espaço redefinida, que sejam observadas as condições de ventilação dos ambientes, fornecidos itens de higiene e considerado o perfil de cada pessoa. Pode haver a necessidade de se promover revezamentos de turmas, com a criação de um sistema híbrido, parte presencial e parte a distância; é de se considerar também o histórico de saúde das pessoas – sem dúvida, há que se observar fatores de risco, envolvendo faixas etárias e comorbidades.
Ao se pronunciar sobre a retomada do calendário letivo na última sexta-feira, o governador João Doria destacou que o retorno só vai ocorrer “a partir de critérios estabelecidos pelo centro de contingência, garantindo a segurança aos alunos, professores e servidores da rede pública”. Deve-se acrescentar que os decretos oficiais preveem também regras para o setor privado. Neste caso, a propósito, cabe uma observação que pode até ser considerada um problema secundário, mas também relevante: a possibilidade de renegociação de mensalidades, uma vez que a prestação de serviços ficou descaracterizada em relação aos contratos originais, apesar das motivações de força maior.
Por último, e nem por isso menos importante, é preciso encontrar uma alternativa de retomada com o menor nível possível de prejuízo à qualidade do ensino, garantindo as cargas horárias oficiais do ano letivo e recuperação de defasagem em razão do tempo parado ou de precarização de conteúdo transmitido on-line. Vem aí, enfim, um rigoroso período de tentativas de redução de danos na educação, a exemplo do que ocorrerá em tantos outros segmentos. Seja como for, o importante neste momento, e sempre, é ter em mente que a preservação de vidas deve sempre estar em primeiro lugar.
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