"Eu me encantei com a leitura e, cada vez que lia, me empolgava mais e também tinha a vontade de saber escrever. Então, passei a produzir alguns textos ainda na adolescência, fazendo poesias, mais como brincadeira, um prazer meu. Pensava assim: 'se os escritores publicavam e as pessoas gostavam, eu gostaria também de, um dia, virar escritora'", lembra Maria Apparecida de Godoy Baracat, ou Cidinha Baracat, como é conhecida a professora de língua portuguesa e membro da AAL (Academia Araçatubense de Letras).
Sua mãe, Deolinda de Andrade, foi quem apresentou o mundo da leitura a Cidinha e quem também que a alfabetizou, aos cinco anos, em uma fazenda no pequeno município de Macatuba, na região de Bauru. "Meu pai era analfabeto, minha mãe que tinha um pouco mais de cultura e me incentivava, declamando poemas e eu achava aquilo tudo muito lindo", conta, dizendo que escolheu o caminho da língua portuguesa por conta de sua mãe. "Meu encanto pela escrita surgiu, ao mesmo tempo, em que nasceu pela leitura", destaca.
Faculdade
Quanto à faculdade, ela conta que foi um caminho difícil a se trilhar. "Não foi fácil assim, minha família era muito pobre, não tinha condições." O seu sonho de se tornar professora começou a se realizar quando se mudou para Araçatuba e cursou o magistério, no Instituto Educacional Manoel Bento da Cruz, em 1957, aos 20 anos. Logo, já começou a ministrar aulas em escolas sitiantes. "Só depois de casada que eu entrei na faculdade. Hoje, tenho três."
Em 1965, Cidinha virou acadêmica de direito, por influência de seu marido, que também era estudante do curso. Quando abriu o curso de letras em Araçatuba, em 1966, ela embarcou na nova jornada, se formando em 1968, sendo integrante da primeira turma a se formar em letras pela faculdade. Em 1978, se licenciou em pedagogia.
Obra única
Em toda sua trajetória, Cidinha sempre encontrou em sua escrita um lugar para extravasar seus sentimentos e emoções, assim surgiu seu primeiro e único livro, o "Ciranda de Vidro", de 1998. "Eu sempre gostei de escrever crônicas, poemas, coisas sobre a minha vida."
A única obra lançada foi incentivada pela cronista e jornalista Odette Costa. "Ela me disse para juntar meus textos já produzidos e publicar um livro, pois ela queria que eu entrasse para a Academia Araçatubense de Letras e para ser admitida, como em toda academia, eu tinha que ter um livro publicado.", lembra, dizendo que tinha muitos textos escritos que foram veiculados no jornal.
Para ela, "Ciranda de Vidro" é como um filho intelectual. "Aqui estão as minhas maiores lembranças, com fatos verídicos da minha infância. É uma sensação indescritível de você se ver, de certa forma, refletida com o seu passado, alegrias, tristeza, o que foi que estava se passando quando eu escrevi."
Para a publicação do livro, ela participou do concurso João de Scantimburgo, da Academia Araçatubense de Letras, venceu e como prêmio, teve sua obra publicada. Assim, Cidinha pôde se candidatar à AAL, tomando posse da cadeira nº 20, em 17 de dezembro de 1999, tendo como madrinha Marilurdes Martins Campezi. "Após isso, eu já escrevi muitos poemas e ainda escrevo para o jornal Folha da Região", conta, evidenciando sua vontade de escrever uma autobiografia, com a trajetória de sua vida de educadora, que já completa 61 anos. "Eu ainda estou trabalhando porque eu gosto e faz bem", destaca Cidinha, hoje, com 82 anos.
Academia Araçatubense de Letras
Em 2010, a professora foi presidente da Academia Araçatubense de Letras e, segunda ela, foi uma atuação tranquila, na qual criou um grupo chamado "Escrevivências", onde reunia pessoas com mais de 60 anos para produzir escritos sobre suas vidas. "Eu gostei muito dessa experiência, como presidente da academia, trabalhar com esse grupo de 15 membros foi maravilhoso."
Hoje, ela diz que está um pouco afastada das atividades da AAL, mas já publicou inúmeros textos na extinta Revista Plural, produzida pelos membros da organização e também na obra "Experimentânia", do Grupo Experimental.
Para quem tem o desejo de também escrever, Cidinha Baracat diz que o segredo é ler, ler muito. "Bons livros e adquirir conhecimentos suficientes para ter o que escrever. Às vezes, basta apenas uma boa vontade, mas, penso que sem uma história de leitura, é muito difícil achar o que escrever, a não ser que seja uma cosia muito espontânea, mas sem técnica e, para isso, deve adquirir um vocabulário", finaliza.
Na edição de terça-feira (7), a coluna Nossos Autores trará o escritor Reynaldo Mauá Junior.
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