A explosão de um vulcão na Nova Zelândia provocou a morte de pelo menos 18 pessoas até este domingo (15), segundo a Agência Brasil. O número subiu depois da morte de uma australiana num hospital de Sydney, e inclui dois desaparecidos que continuam sendo procurados, segundo fonte policial.
No total, 47 pessoas estavam na ilha no momento da erupção, na última segunda-feira (9), mas as buscas terrestres e marítimas ainda não conseguiram localizar nenhum sinal dos corpos das duas últimas pessoas que continuam desaparecidas.
Vinte e seis pessoas continuam hospitalizadas na Nova Zelândia e na Austrália, muitas delas em condição descrita pelos médicos como "crítica", com queimaduras em mais de 80% do corpo e lesões internas devido à inalação de gases.
Segundo Mike Clement, a polícia não perdeu a esperança de encontrar os corpos dos dois desaparecidos. "Chegará um momento em que teremos feito tudo o que pudermos, mas ainda não estamos lá", afirmou, acrescentando que a polícia "não desiste facilmente."
O risco de erupção do vulcão permanece e o brilho ainda visível à noite no nível da chaminé vulcânica "confirma a presença de um importante fluxo térmico", segundo o vulcanologista da GNS Science Geoff Kilgour, que monitoriza a atividade vulcânica e sísmica naquele arquipélago.
Das 47 pessoas na ilha no momento da erupção, com idades entre os 13 e 72 anos, 24 eram da Austrália, nove dos Estados Unidos, cinco da Nova Zelândia, quatro da Alemanha, dois da China, dois do Reino Unido e um da Malásia.
Explosão não prevista
A explosão não foi prevista, mas os dados científicos já indicavam uma elevação recente no nível de atividade sísmica da montanha, mas não a ponto de ser possível prever alguma erupção, segundo o site especializado Apolo11.com.
O vulcão de Ilha Branca, ou Whakaari, se localiza na porção norte-nordeste da ilha norte da Nova Zelândia e é um dos mais ativos do país. Geologicamente, fica assentado sobre o chamado Anel de Fogo, uma zona altamente sísmica que margeia o oceano Pacífico e onde acontece a quase totalidade dos terremotos e erupções vulcânicas do planeta.
A erupção atual ocorreu às 22h11 de domingo pelo Horário de Brasília (14h11 de segunda-feira, hora local) e embora tenha pegado muita gente de surpresa, Ilha Branca não é um vulcão desconhecido ou calmo e já sofreu diversas erupções ao longo do tempo, a mais recente delas em 2016.
Ilha branca é o cume de um vulcão submarino de 16 por 18 quilômetros de diâmetro, que há muito tempo explodiu detritos vulcânicos suficientes para formar a ilha. Ele é composto por dois estratovulcões sobrepostos cujos magmas têm uma consistência que permite aprisionar gás, o que pode levar a erupções explosivas.
As erupções de Ilha Branca já produziram alterações topográficas significativas. Nos séculos 19 e 20, fortes erupções criaram aberturas no chão da cratera. Em 1914, algumas paredes da cratera colapsaram, o que criou uma avalanche de detritos que soterrou construções e trabalhadores em uma mina de enxofre.
Previsão com antecedência é possível
Diferentemente dos terremotos, cuja previsão de ocorrência ainda não é possível, os vulcões emitem sinais que podem ser interpretados cientificamente e que dão uma boa ideia do seu nível de atividade. Isso permite que a previsão de erupção possa ser feita com bastante antecedência.
Entre os diversos sinais de erupção de um vulcão estão os tremores harmônicos e a deformação da encosta da montanha.
Os tremores harmônicos são sinais sísmicos (formas de onda) muito característicos e indicam que está havendo uma compressão e ou expansão dentro dos dutos de magma no interior da montanha, um indicativo bastante confiável de que uma erupção está a caminho. Além do tremor harmônico, uma indicação de erupção é a expansão ou inclinação da montanha, que pode ser acompanhada através de instrumentos ou até mesmo visualmente. Neste caso, geralmente, a evacuação da área é certa.
No caso do vulcão de Ilha Branca, testemunhas afirmam que a explosão lançou ao ar uma gigantesca quantidade de cinzas quase na vertical, o que indica que possivelmente tenha ocorrido um "espirro" e não uma erupção propriamente dita, similar ao que acontece quase diariamente no vulcão Stromboli, na Itália, que costuma tossir alguma vezes por dia.
No entanto, embora monitorado diariamente pelos vulcanologistas, os sinais típicos de uma erupção, como o tremor harmônico ou deformação do entorno não estavam presentes, embora a atividade sísmica estivesse aumentada nos últimos dias.
Nestes casos é bastante difícil dizer quando uma erupção poderá ocorrer, já que os sinais registrados podem indicar apenas um fluxo passageiro de magma, sem que necessariamente leve a uma erupção. Ainda assim, mesmo diante das incertezas, os vulcanologistas da GEONET emitiram um boletim de alerta informando sobre a atividade sísmica ligeiramente aumentada.
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