Especial

Francisco Moreno: Lampejos

Por Redação |
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Aprender com a natureza, requer antes de tudo, humildade, bom senso e a noção mínima de preservação. Estávamos no Curso de Apicultura, e ninguém riu e, ninguém caçoou, quando nosso colega Sebastião de 50 anos de idade, reconheceu admirado, de que não sabia que as abelhas bebiam água. Talvez até, ninguém riu, porque na verdade ninguém sabia disso também. Admitir desconhecimento, é o primeiro passo do cientista.

Na ecologia se aprende a todo momento: e o bom senso engole o orgulho quando por exemplo, se admite, que não sabíamos que o coqueiro não é árvore. E nem são árvores, o bambu e a bananeira. O primeiro é uma palmeira, planta com anatomia e forma de crescimento bem diferente de uma árvore. Já o bambu, são gramíneas da mesma espécie do seu gramado, só muda o tamanho. E a bananeira é uma erva, planta herbácea, com caule subterrâneo (rizoma). Aquilo que parece um caule, na verdade são bainhas foliares superpostas. Vai daí que, a banana não é fruta, a não ser no comércio.

Noção de preservação, é quando por exemplo, quando o lixo nos ensina a sermos lixeiros. E nos deparamos com olhos rasos d’água, a dura realidade: a sensação de estarmos sucumbindo. As vezes se faz necessário uma denúncia. E aí a humildade deve imperar, com a seguinte percepção: não é você quem a faz, é a coletividade, através de você. Não é por você, mas por todos.

Preservar é agregar valores. É tirar de uma nascente, que brota água incessante, o máximo de recursos e ao sair, deixa-la mais protegida do que antes. Mire-se no exemplo dos castanheiros. De um trabalho simples e difícil, extraem os frutos da mata, enquanto, ao mesmo tempo a protegem. A Floresta Amazônica está hoje estraçalhada em retalhos, sucumbe à soja e ao gado.

A inabilidade e ingenuidade não fazem parte da lida ambientalista. Estudos demonstram que os recursos vegetais do planeta atenderiam a uma população de 10 bilhões de pessoas, enquanto a carne bovina, 1(um) bilhão e meio de pessoas. Sem contar que a destruição assola através de Bugreiros, hoje amparados politicamente da mais alta patente. Fazem frente, com o mesmo trabalho que fizeram os “Dadas” no sertão paulista.

Não foram cientistas, mas sim os povos indígenas que identificaram cerca de 3.000 espécies de plantas. E, para as 100 espécies mais úteis, investiram no seu manejo e cultivo com incentivo de ONGs. A Igreja Católica ouviu os gritos deles, e enxergou as suas mazelas. Chamou-os e parou para ouvi-los. Propõe agora ser voz que desperte em nós uma compreensão humilde da vida dos povos amazônicos. E com o planeta como um todo. Porém é urgente, pois a destruição da Amazônia e as mudanças climáticas andam mais rápido do que os cientistas.

Cada um de nós deve repensar, que não basta proteger a fauna e a flora. Tem pessoas no meio. A Natureza é nossa. E quem é dono cuida. Somos donos e as vezes não percebemos que somos parte dela. Nessa perspectiva que o Papa coloca para nós, é cuidar, guardar e cultivar, não destruir e explorar até o limite da possibilidade.

Francisco Moreno é membro do Movimento Global Católico nas Mudanças Climáticas

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