Celebra-se hoje, no Brasil, o Dia do Professor. Todas as vezes que esta efeméride bate à porta, sobram os discursos sobre a necessidade de melhor reconhecimento dos educadores. Também pululam estatísticas sobre salários, violência, carreira e desempenho dos estudantes. Entra ano e sai ano, passam-se décadas, e o tal da educação em primeiro lugar é adiado. E assim as falas e as esperanças se repetem.
É inegável que toda esta gama de assuntos sejam legitimamente destacados, revisitados e atualizados. Está mais claro que desde o ano passado, quando se comemorou a data, pouco ou nada se fez para que o tão sonhado país educador seja realidade.
É estranho que a sociedade se acostume com este adiamento eterno. Elevar o professor como um dos mais importantes profissionais e agentes de desenvolvimento é uma coisa tão óbvia e urgente que deveria estar na mente de cada brasileiro, todos os dias.
China e Índia já fizeram isso há algumas décadas. Países com grande índice de desenvolvimento humano já fazem isso desde sempre. E o resultado é claro. Mas, mesmo assim, o Brasil ainda prefere discutir os efeitos colaterais da má educação de seus filhos.
Será que alguém ainda não consegue associar a violência urbana, a violência doméstica, o atraso tecnológico, a fome, a miséria que assola grande parte do país e ao caos das grandes cidade à falta de uma educação decente? Não precisa ser um grande cientista social para saber que se hoje empresários não conseguem manter as contas de suas empresas em dia e não conseguem mão-de-obra especializada é porque falta educação.
Não é necessário ser um pensador de grande vulto para entender que o jovem que não tem esperanças de melhorar de vida por meio do estudo vai acabar sendo alvo fácil do tráfico e vai morrer cedo nas mãos de bandidos ou no confronto com a polícia.
Qualquer pessoa que pare para olhar à sua volta, neste dia, verá que se morrem tantas pessoas no trânsito, que o nível de desenvolvimento social é baixo e que a classe política ainda pensa mais em si que na coletividade, é porque o país não conseguiu se educar.
Um cidadão que não aprende sobre si e o mundo em que vive não será capaz de raciocínios que levarão ele a um emprego melhor, a um equilíbrio social e financeiro e a uma progressão de qualidade de vida. Também não é preciso ganhar um Nobel para saber que sem professores não existiriam qualquer outro profissional, de qualquer área que se possa pensar.
O Brasil, no entanto, se acostumou a se render à retórica. No Dia dos Professores joga-se confete neles, mas continuam os jogando em escolas públicas deterioradas e em uma estafante carga horária. Nas escolas particulares, professores já se acostumaram a ter a hora/aula menor que o dinheiro que grande parte das crianças carregam no bolso para comprar o lanche.
O Dia do Professor deveria ser o dia do basta à hipocrisia. Deveria ser o dia de o país resolver a se levar a sério. Sem grandes educadores, bem remunerados e com condições de terem uma vida digna, o Brasil continuará sendo o país do futuro vivendo no atraso intelectual que retroalimenta a miséria, a violência e a exclusão.
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