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Escolas públicas - Editorial

Por Redação |
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Arquivo Folha
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Há duas semanas, o prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), anunciou que as escolas municipais mantidas pela Prefeitura passarão a ter aulas de inglês a partir do próximo.

Embora o projeto ainda não tenha sido divulgado na íntegra, sabe-se que as crianças de 6 a 10 anos terão este segundo idioma inserido em seu cotidiano como uma forma de prepará-los para o mundo globalizado. É uma iniciativa muito positiva, principalmente porque nas escolas privadas esta prática já é muito comum.

As escolas públicas precisam destes cuidados de renovação de seu método para adequação ao novo mundo, sem fronteiras. Aliás, fronteiras que precisam ser cada vez mais quebradas dentro das próprias instituições.

Carentes de investimentos, distantes das inovações oferecidas pela rede privada e acolhendo crianças de diversos extratos sociais, as unidades bancadas pelos municípios e pelos estados têm alcançado sucesso quando se abrem para o novo mundo e para a comunidade.

O estudo “Excelência com Equidade no Ensino Médio: a dificuldade das redes de ensino para dar um suporte efetivo às escolas”, produzido pela Fundação Lemann, Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Instituto Unibanco e Itaú BBA, apontam que as escolas públicas que ousaram quebrar as cercas internas e externas conseguiram excelência na Prova Brasil e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

E o estado de São Paulo, que é rico e vive uma situação privilegiada em relação a outras partes do país, não conseguiu ficar entre os primeiros do ranking. Entre as melhores escolas publicas do país, Ceará é o grande destaque com 55 unidades. Em seguida está o Espírito Santo, com 14. Depois, Goiás e Pernambuco, com sete cada.

Ao todo, segundo o estudo, as 100 escolas com melhores avaliações, de um total de 5.042, se destacaram por boas práticas. Nelas, pelo menos 95% dos alunos concluíram os estudos, o que mostra que as unidades conseguiram evitar o abandono escolar. São escolas capazes de ofertar aos alunos boa base de conhecimentos, ajudá-los em projetos de vida, obtendo bons resultados em avaliações nacionais. Todas atendem a estudantes de baixo nível socioeconômico.

E como conseguiram isso? Promovendo o diálogo e a parceria entre professores e alunos, envolvendo a comunidade, os pais e responsáveis nas atividades escolares. E ainda, como apoio das secretarias de educação, elas têm investido no uso de dados e monitoramento da aprendizagem.

Para melhorar os resultados, os estabelecimentos oferecem reposição de conteúdos ainda do ensino fundamental, além de “aulões” de simulados. Oferecem ainda atividades para trabalhar as chamadas habilidades socioemocionais, como empatia, criatividade, responsabilidade e ética.

São estratégias simples de serem implementadas. E a sociedade espera que os governos invistam mais no setor, pois é nas escolas que se formam os cidadãos que cuidarão do País nas próximas décadas. Cada centavo que não é investido corretamente na educação se transformará em centenas de reais a serem gastos contra a violência, no subemprego e no atraso social.

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