Editorial

Clima pesado - Editorial

Por Redação |
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Arquivo Folha
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Hoje é o Dia do Tietê. Ele é um dos maiores símbolos da exuberante natureza da região de Araçatuba. Motivo de orgulho pela sua opulência e águas limpas que contrastam com o rio fétido que corta a capital, este importantíssimo rio merece mais atenção.

Não há um só araçatubense que não já sentiu orgulho em dizer para os parentes de fora que a população não só se banha neste rio, como também bebe sua água. Todos gostam de ver o espanto nos olhos incrédulos, principalmente entre aqueles que só conhecem a face poluída dele.

Há um ano, a Folha da Região mostrou, em reportagem especial, o quanto a capacidade de transporte de cargas por seu caudaloso leito e a capacidade turística que ele proporciona são subutilizados.

Neste ano, novamente, este jornal traz, em suas páginas, outra reportagem mostrando o poderio econômico do Tietê e o quanto Araçatuba e toda a região ainda podem se beneficiar dele de forma sustentável.

Esta discussão sobre o uso ecologicamente correto do rio, inclusive, deve ser abraçada por todos. Principalmente porque o mundo todo se volta, a partir de amanhã, para a Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que vai até sexta-feira em Nova Iorque (Estados Unidos).

Neste evento, mais de uma centena de líderes de todo o mundo se reúnem na sede da organização para sinalizar como irão acelerar ações para responder a temas de preocupação global.

Os encontros deste ano devem ser o pontapé inicial da ambiciosa década de ação para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, que são, na prática, um chamado universal para ação contra a pobreza, pela proteção do planeta e para garantir que todas as pessoas tenham paz e prosperidade.

Apesar de o cronograma não incluir o Brasil entre os países que terão direito a discursar, a participação do presidente Jair Bolsonaro será obviamente importante para toda a nação e estará sob os olhos dos demais líderes.

Com certeza o presidente Bolsonaro, que se envolveu em embates com líderes europeus recentemente, principalmente por causa das queimadas na Amazônia, será um dos destaques da cúpula. Todos vão querer saber o que ele tem a dizer.

Nesta discussão que acontecerá em solo americano, à nossa região interessará muito um aspecto que está intimamente ligado à preservação do Tietê, que é o uso de agrotóxicos. A reportagem da Folha da Região já mostrou o quanto o uso indiscriminado deles afeta a qualidade da água nas torneiras e o quanto estes venenos matam, aos poucos, a tão límpida água do Tietê que todos se orgulham.

Vale lembrar que o Brasil tem passado por um processo de liberação continua de agrotóxicos e que dos 96 ingredientes ativos que compõem os agrotóxicos liberados no Brasil neste ano, 28 não são liberados ou registrados na União Europeia, 36 na Austrália, 30 na Índia e 18 no Canadá.

Por estas e outras, Bolsonaro encontrará, na ONU, o que popularmente se chama de clima feio. Há esperança para que ele possa discutir os assuntos de forma técnica e que o Brasil, a partir disso, encontre uma forma sustentável de lidar com a questão dos agrotóxicos.

Ao mesmo tempo espera-se que as autoridades locais também não fiquem à margem do rio, em banho de sol, e façam também mais pelo rio Tietê, que hoje é orgulho e não pode se transformar em futura vergonha. O Tietê merece mais.

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