Ao longo de toda a história da humanidade, a religião foi um dos pilares da sociedade. Além de ser o farol espiritual, ela também é responsável pela união entre pessoas, consolo para os momentos individuais difíceis e grande promotora da ética e dos bons costumes. Infelizmente, dentro da falha que é marca indelével do ser humano, o mal uso da fé também aflora. E guerras sempre foram travadas em nome de um deus ou deuses.
Esta semana, por exemplo, o planeta todo parou para lembrar os atentados contra as torres do World Trade Center, no coração de Nova Iorque. No 11 de setembro de 2001, radicais islâmicos, em nome da sua fé, promoveram um ataque à civilização judaico-cristã, provocando a morte de 2.996 pessoas, incluindo os terroristas. Ação que depois se desdobrou com uma dezenas de atentados, como o ocorrido em Paris em novembro de 2015.
Ainda é preciso citar o interminável conflito entre israelenses judeus e palestinos muçulmanos, que a cada semana estarrece o mundo com suas bombas voadoras, mortes de crianças e vidas ceifadas em nome da ocupação espacial sobre Jerusalém em nome de seus credos.
A diferença religiosa ainda levou a outros conflitos sangrentos como a luta entre xiitas e sunitas no Iraque que já provocou a morte de mais de 70 mil pessoas; a disputa entre cristãos e muçulmanos na Nigéria, com massacres de tribos inteiras com todo requinte de crueldade que se possa imaginar; a embate entre fundamentalistas radicais muçulmanos e não-muçulmanos no Afeganistão que marcou o final do século passado e o início do atual e ainda os budistas e muçulmanos na Tailândia que varreram o mundo com cenas de sangue nos anos 1970 e 1980.
A edição de hoje da Folha da Região, no entanto, traz uma reportagem informando que o Brasil – que vê nascer a intolerância de milícias ligadas a movimentos evangélicos contra centros de religião afro-brasileira – está participando da formação da Aliança Internacional para Liberdade Religiosa. A ação é um das principais pautas, informa a notícia, do encontro do chanceler Ernesto Araújo com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, hoje, em Washington.
A cooperação na ofensiva contra discriminação religiosa no mundo é considerada ponto chave da parceria estratégica entre os dois países. A iniciativa visa defender todas as religiões, mas o tema foi abraçado especialmente por evangélicos e católicos mais atuantes.
Estudo conduzido pelo Pew Research Center e publicado em julho deste ano mostra que os cristãos são o grupo religioso perseguido no maior número de países (143), seguidos por muçulmanos (140) –ambos representam as religiões com o maior número de fieis.
A ONU comemorou em 22 de agosto o primeiro dia mundial das vítimas de atos de violência por causa de religião ou crença, celebração proposta pela Polônia, com apoio dos Estados Unidos e do Brasil.
É muito importante que nasçam iniciativas como estas, que agreguem nações e que líderes sejam moderadores dos conflitos. Mas enquanto o assunto é discutido nos salões com ar refrigerado e pompas, na vida real cada pessoa deve começar a fazer a sua parte.
O respeito à diferença deve ser basilar em qualquer convivência. A cada um cabe escolher seu modo de vivenciar a fé e até a falta total de religiosidade. É sempre um caminho íntimo. Não é possível, em nome de qualquer deus que pregue o amor, que prevaleça o preconceito. A violência (física ou psicológica) com base na fé é um dos maiores escuros na alma possível na humanidade.
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